Festivais de house acabam comprados, revendidos ou absorvidos por fundos de private equity com mais frequência do que celebram aniversários. O Grant Park, em Atlanta, recebe um que acabou de fazer as duas coisas ao mesmo tempo: hoje, 6 de setembro, o House In The Park chega à sua 22a edição consecutiva, do meio-dia às 20h, com mais de 15.000 pessoas esperadas no gramado da extremidade norte do parque, perto do centro recreativo.
O lineup reúne Kai Alcé, DJ Ramon Rawsoul, Salah Ananse e DJ Kemit, o mesmo grupo de DJs deep house de Atlanta que sustenta o evento há quase vinte anos. Ninguém pousou de paraquedas vindo do roster de uma agência para ser cabeça de cartaz.
Como uma festa house sobrevive a 20 anos de rotatividade no mundo dos festivais?
Rawsoul, criado no South Side de Chicago, berço da house, e Alcé, formado ainda adolescente no Music Institute de Detroit antes de se estabelecer em Atlanta e fundar o selo NDATL em 2008, lançaram o House In The Park em 2005 como um presente à própria cidade. O evento nasceu diretamente do The Gathering, a festa mensal deles, não de uma marca de festival tentando entrar num mercado novo. A diferença importa: nenhum investidor externo espera retorno, nenhum grupo de turnê decide o orçamento do ano seguinte, nenhum logo de patrocínio dita o lineup. Os dois fundadores continuam reservando o evento, e continuam tocando nele.
Essa estrutura também explica a simplicidade dos preços. Os ingressos antecipados custam 25 dólares, 30 na porta quando ainda há, com um ingresso infantil incluído por ingresso adulto, uma tabela pensada para manter um dia inteiro de música acessível ao bairro em vez de extrair o máximo de receita de um público cativo. Compare isso ao que custa normalmente um único dia de line-up com pelo menos um cabeça de cartaz nacional, e a diferença diz muito sobre quem é realmente o público deste evento.
Por que um lineup totalmente local ainda atrai 15.000 pessoas?
Porque quem vende não é o lineup, é a comunidade. Rawsoul e Alcé sempre defenderam a ideia de que a house poderia transcender « identificação étnica, classificação racial, idade e estilo de vida », e vinte e dois anos com os mesmos dois nomes no cartaz, ao lado dos habitués atlantinos Salah Ananse e DJ Kemit, construíram uma confiança que nenhum cabeça de cartaz externo consegue fabricar num único ciclo de contratação. As pessoas voltam porque sabem o que vão encontrar: deep house, tocada por quem a toca naquele parque todo setembro desde que o Grant Park era mais um hábito de domingo à tarde do que um destino.
House In The Park foi fundado em 2005 e desde então se tornou uma tradição popular para a cena house da cidade.
Essa continuidade é a verdadeira notícia aqui. Festivais com dez vezes mais orçamento de marketing raramente passam de uma quinta edição sem trocar de marca, de dono, ou desaparecer discretamente. Este continua conduzido pelos seus fundadores, continua com preços acessíveis ao bairro, e continua lotando um parque público no fim de semana do Labor Day.



