Por que demorou cinco anos?

Boys Noize não lançava um álbum solo desde +/-, de 2021, mas não ficou parado. Neste ano coassinou a trilha de TRON: Ares, e antes disso passou um tempo no universo de Trent Reznor, refazendo faixas do Nine Inch Nails no projeto Nine Inch Noize, uma dupla que se apresentou em palcos como o Coachella. É um desvio incomum para um artista que construiu seu nome com electro-house distorcida na Ones and Zeros, o selo que ainda dirige. Agora ele volta com 7LLVSION, previsto para 6 de novembro, e a lista de colaboradores soa como a de alguém que passou cinco anos escolhendo com cuidado, em vez de ficar parado.

Quem mais aparece no disco?

7LLVSION traz ZEP, Brutalismus 3000, Taichu, Maya Alkhatari e ABRA, um leque que vai do underground industrial de Roterdã (ZEP) à cena berlinense que borra gêneros. O primeiro single, «1+1+1» com ZEP, já saiu: um baixo EBM que muda de tom o tempo todo sob uma batida com cara de anos 80, com ZEP berrando como se estivesse narrando uma lista de convidados que saiu completamente do controle.

A guinada industrial e new wave de «1+1+1» sugere que 7LLVSION não será apenas um retorno ao som electro-house pelo qual Boys Noize é conhecido.

O que isso diz sobre a campanha do álbum?

Boys Noize está apoiando o lançamento com uma turnê bem longa, que vai das datas de festival atuais até a Austrália em janeiro de 2027, o que sugere que a Ones and Zeros está tratando este disco como uma campanha de verdade, não um lançamento isolado. Para um artista que passou os últimos anos emprestando seu som ao cinema e a uma das bandas de rock mais reconhecíveis, um álbum solo com tantas vozes convidadas soa como um reinício deliberado: a prova de que esse trabalho cruzado alimentou o projeto solo em vez de substituí-lo.

Por que isso importa

Um álbum solo de Boys Noize pesa na cena porque ele é um dos poucos artistas que saiu do electro-house underground para compor trilhas de cinema e colaborar com Trent Reznor sem perder credibilidade em nenhum dos dois lados; 7LLVSION é o teste que vai dizer se essa experiência cruzada muda mesmo o seu som.

O que achamos

A jogada esperta aqui não é a duração da turnê nem a lista de convidados, é o timing: depois de TRON: Ares e Nine Inch Noize, Boys Noize poderia ter jogado seguro com um retorno electro-house clássico. Apostar num single EBM e new wave em vez disso mostra que ele está trazendo para casa a influência desse desvio, uma aposta bem mais interessante para quem acompanha sua discografia desde Oi Oi Oi.