A Colômbia ainda está contando seus mortos, e sua cena eletrônica responde a partir de duas cidades ao mesmo tempo.

Como a cena de clubes de Bogotá está reagindo?

Video Club, Odem e Radio Estrella anunciaram no Instagram em 11 de agosto, um dia depois do terremoto, que doariam parte da bilheteria daquele fim de semana, além de vários cachês de DJs, para a PLAN International, uma organização já atuando no terreno nos departamentos afetados. A noite de sexta-feira no Video Club, «Entropia: RUIZ OSC1 + KUSS», e a do Radio Estrella, «Linds x PlurALL & Hyperpop», ambas em 14 de agosto, foram organizadas como festas beneficentes, e não como programação comum, com os clubes incentivando o público a doar diretamente pelos canais oficiais da PLAN International, não apenas a comprar ingresso.

O que o selo de Medellín faz, por outro lado?

Um dia depois, em 12 de agosto, a Mammboh Rhythms, selo que Sons Of Hidden e Serge André tocam a partir de Medellín sob a bandeira «Andean & Folkloric Techno», lançou United for Colombia, uma coletânea de 32 faixas cujo dinheiro, até o último centavo, está reservado ao socorro.

https://mammbohrhythms.bandcamp.com/album/united-for-colombia

Mais de trinta produtores, entre eles Obscure Shape, Isaiah, Advanced Transistor e Ricardo Garduno, entraram em menos de 48 horas. O selo dividiu sua resposta em duas frentes: a maior parte do dinheiro vai para organizações de ajuda verificadas, com prioridade para o Chocó, a região mais atingida, antes de chegar a Pereira e Cali, enquanto um fundo à parte é destinado exclusivamente a artistas e produtores colombianos que perderam suas casas, um grupo que a arrecadação dos clubes de Bogotá não aponta especificamente.

«A arte sempre foi uma força de mudança, uma forma de resistência e um movimento revolucionário», declarou Serge André sobre o projeto.

Por que o número de mortos, e a mobilização, continuaram crescendo?

Quando os clubes de Bogotá publicaram seu anúncio em 11 de agosto, o número oficial já passava de 160 mortos. Quando a Mammboh Rhythms lançou sua coletânea em 12 de agosto, ele já tinha ultrapassado 240, um lembrete duro de que as equipes de resgate continuavam retirando pessoas dos escombros no Chocó enquanto as duas campanhas eram organizadas. O impacto cultural do terremoto foi muito além do epicentro: o prefeito de Cali suspendeu a 30ª edição do Festival Petronio Álvarez, a maior vitrine do país para a música afro-colombiana, e Pereira cancelou sua festa da colheita para redirecionar o orçamento à reconstrução. Bogotá e Medellín ficam a centenas de quilômetros do Chocó, mas as duas cenas fazem parte da mesma economia musical nacional, e muitos de seus promotores e DJs têm amigos, datas ou família nos departamentos mais atingidos. A DJ Julianna, radicada em Medellín, publicou imagens dos danos na casa de sua própria família em Cali e abriu uma campanha no GoFundMe para reparos e moradia, independente das duas campanhas, um lembrete de que nenhuma das duas é abstrata: para muita gente que toca nessas casas, isso é pessoal.

Como ajudar: Doe diretamente para a resposta da PLAN International ao terremoto na Colômbia, ou compre United for Colombia no Bandcamp: cada centavo vai para o socorro no Chocó e para o fundo da Mammboh Rhythms para produtores desabrigados.