O que acabou de acontecer na Venezuela?
A 24 de junho de 2026, um abalo premonitório de magnitude 7,2 e um abalo principal de 7,5 atingiram a costa mesmo a oeste de Caracas com segundos de diferença, os terramotos mais fortes que o país sofreu em mais de um século. Há mais de 900 mortos confirmados, milhares de feridos e quarteirões inteiros desabados em La Guaira e nos arredores da capital. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar fechou depois de ser danificado, e os cortes de eletricidade e internet impedem até que as pessoas contactem as famílias. Tudo isto cai sobre um país já desgastado por anos de crise económica e política: a margem para encaixar uma catástrofe desta dimensão é quase nula.
Qual é a forma mais rápida de ajudar a sério?
Dinheiro, enviado a organizações que já estão no terreno. Numa catástrofe, o estrangulamento quase nunca é a boa vontade, é a logística, e o dinheiro permite às equipas comprar o que é preciso no local, água, antibióticos, soros, abrigo, no momento exato em que faz falta. UN Crisis Relief, o International Rescue Committee, a Direct Relief e a UNICEF coordenam a resposta; a Direct Relief afirma que 100 % dos fundos destinados à Venezuela vão para esse esforço. Resiste à vontade de embalar roupa ou água engarrafada: os donativos materiais não solicitados entopem os portos e afastam o pessoal do trabalho, e as ONG só querem material quando o pedem. Dás dinheiro, pedes um recibo, está feito.
Porque é que isto é uma história de house?
Porque a Venezuela não é só um sítio por onde o house passou: é um sítio que construiu o seu. Nos bairros do oeste de Caracas na viragem dos anos 2000, um som chamado changa tuki, mais tarde rebatizado de raptor house, cresceu em torno de DJ Babatr (Pedro Elías Corro): cerca de 140 BPM, uma fusão de techno, tribal house e ritmos afro-caribenhos, extática, caótica e inteiramente local.
«Uma reinterpretação latina e tropical do techno»: é assim que Corro descreve o raptor house, hoje largamente considerado o primeiro género eletrónico saído da Venezuela.
Durante anos foi olhado de cima. A palavra «tuki» começou como um insulto de classe dirigido aos miúdos do bairro que faziam a música, até a cena a reapropriar. Depois o resto do mundo recuperou o atraso: Babatr apareceu em «Xtasis», a arma de festival do produtor de Miami Nick León editada na TraTraTrax em 2022, e artistas como Arca e Safety Trance movem-se hoje entre as raízes de Caracas e os palcos principais da Europa e dos Estados Unidos.
Como apoiar a cena, e não só o momento?
Duas coisas, e sobrevivem a um ciclo de notícias. Primeiro, dá ao esforço de socorro agora, enquanto é agudo. Segundo, mantém a música venezuelana visível: contrata os artistas, ouve-os e compra os seus discos no Bandcamp, onde o dinheiro lhes chega mesmo, e credita-os como deve ser quando o som deles reaparece no teu. A maior parte da cena trabalha no exílio ou a partir de um portátil, quase sem indústria por trás: um booking ou um lançamento pago não é caridade, é oxigénio. A ajuda mais rápida é o dinheiro; a mais duradoura é recusar que a Venezuela desapareça dos cartazes assim que os títulos viram a página.



