Por que o EXIT deixou a Sérvia, afinal?

O EXIT Festival não apenas pulou um ano discretamente. Depois da edição de 2025 na fortaleza de Petrovaradin, os organizadores retiraram o festival da Sérvia por completo, citando pressão política, de segurança e financeira do governo de Aleksandar Vucic. O custo foi concreto: mais de 1,5 milhão de euros em cofinanciamento público e patrocínios ligados ao Estado, perdidos. Para um festival que enche as muralhas da fortaleza de Novi Sad todo julho, isso não é um detalhe contábil, é o tipo de golpe que força uma estrutura a se reconstruir inteiramente fora do próprio país.

Então o EXIT levou o próprio nome pelo mundo. Em 2026 organizou um «Starlight Festival» junto às pirâmides de Gizé, no Egito, além de eventos na Macedônia, mantendo a marca viva enquanto seu endereço de origem ficava vazio.

O que está realmente previsto para 2027 e 2028?

O retorno não é imediato. O EXIT confirmou uma edição especial para julho de 2027, de volta à fortaleza de Petrovaradin, enquadrada pelos organizadores sob o lema «liberdade, unidade e amor», antes de uma reabertura completa em 2028. O diretor do festival, Dušan Kovačević, disse sem rodeios:

«Agora, graças à coragem e à perseverança dos estudantes sérvios, a liberdade voltou ao nosso país. E depois de levar o espírito do EXIT pelo mundo todo, finalmente estamos voltando para casa.»

Os organizadores afirmam que o retorno completo de 2028 exige pelo menos 18 meses de preparação: reconstruir patrocínios, esquemas de segurança e toda a logística que um governo hostil não devolve da noite para o dia.

Por que esse momento importa?

Isso não é coincidência de calendário. Vucic perdeu as eleições sérvias de 26 de outubro de 2026 para o partido Student List, que conquistou 52,71% dos votos após quase dois anos de protestos estudantis, o mesmo tipo de movimento que colocou o EXIT no mapa em 2000, quando estudantes de Novi Sad lançaram o festival como protesto direto contra Slobodan Milošević. Um festival nascido combatendo um governo autoritário volta para casa quase no mesmo momento em que o governo que o expulsou perde poder para um movimento com o mesmo instinto.

Essa simetria explica por que a história ultrapassa Novi Sad. É um caso de estudo em tempo real: uma instituição cultural que construiu sua identidade sobre a resistência pode mesmo voltar para casa depois que a luta parece vencida, ou esse retorno tão certeiro parece mais oportunismo vestido de princípio?