O festival sérvio EXIT Festival construiu sua marca colocando música eletrônica dentro de uma fortaleza em Novi Sad. Agora faz o mesmo numa das sete maravilhas do mundo antigo. O Starlight Festival, nova coprodução da EXIT com a P+US, o selo eletrônico da produtora regional Venture Lifestyle, chega às pirâmides de Gizé de 8 a 11 de outubro de 2026, com as duas noites principais de 9 e 10 de outubro montadas diretamente no planalto.

O line-up é o que separa um festival de verdade de um simples cenário para fotos. Charlotte de Witte toca pela primeira vez no Egito. Enrico Sangiuliano e a dupla suíça de melodic techno Adriatique sustentam o restante do cartaz techno, ao lado de Indira Paganotto. Michael Bibi, Vintage Culture, Pete Tong e WhoMadeWho completam um line-up às vezes mais comercial, mas que se mantém no mesmo terreno tech house e techno que a EXIT defende em Novi Sad há duas décadas. Não há EDM disfarçada de comunicado aqui: são os nomes que os produtores underground realmente contratam.

Por que montar isso justamente em Gizé?

Porque a Adriatique já provou que a demanda existe. A atualização de line-up da Excel Travel Egypt lembra que a dupla retorna ao planalto depois de um show anterior que atraiu quase 10 mil pessoas, um número que convenceu os organizadores de que uma versão de quatro dias com vários palcos poderia funcionar. A página de venda da Fever indica capacidade diária de cerca de 15 mil pessoas, cerca de 30 mil no total nas duas noites principais, vendidas via TicketEgypt para compradores da região MENA e Fever internacionalmente, com passes de fim de semana a partir de cerca de 229 euros.

E as pirâmides em si?

Essa é a pergunta óbvia, e os organizadores têm uma resposta: os palcos ficam num local que tanto a Excel Travel Egypt quanto o site oficial do festival descrevem como especialmente designado e desenvolvido conforme o status de proteção histórica do planalto, distinto dos próprios monumentos. Esse enquadramento importa para um sítio tombado pela UNESCO e rigidamente controlado pelas autoridades egípcias. Importa também para a cena egípcia e regional em geral: um festival deste porte, com um line-up tão especificamente techno e tech house, nunca tinha pousado na região. As festas de abertura e encerramento acontecem no próprio Cairo, nos dias 8 e 11 de outubro, emoldurando as duas noites no planalto.

"Isso não é um show de uma noite só. São quatro noites de techno, house e música eletrônica, com Quéops, Quéfren e Miquerinos vigiando a multidão."

Isso muda o mapa dos festivais?

Deveria. A EXIT passou 25 anos transformando uma fortaleza sérvia numa marca global, acumulando prêmios nos European Festival Awards, e agora exporta esse modelo para um lugar que nenhum festival eletrônico dessa escala tinha usado antes. Para o Egito e a região MENA em geral, o Starlight não é um espetáculo isolado: é um marco. A infraestrutura, as plataformas de venda de ingressos, a relação de licenciamento com as autoridades de patrimônio e um line-up techno de primeira linha existem agora, todos juntos, no mesmo lugar.

Por que isso importa

Um festival dessa escala, com um line-up de credibilidade genuinamente underground, diz a produtores e agentes que o Egito e a região MENA podem receber techno de primeira linha sem diluir o cartaz em enchimento EDM, e estabelece um precedente que outros sítios patrimoniais vão observar de perto.

O que achamos

O line-up é a pista que importa aqui: EXIT e P+US contrataram Charlotte de Witte e Enrico Sangiuliano, não um headliner EDM genérico, o que significa que estão atrás do mesmo público que lota o Tresor ou um palco principal da EXIT, não de um espetáculo para turistas. É a decisão certa, tanto para a região quanto para o local. O enquadramento patrimonial merece escrutínio ao longo do tempo, não aplausos no primeiro dia, mas o line-up em si já é um sinal sério.