De quem é, afinal, o Flow Festival?

O Flow Festival já não é uma operação independente. Está dentro da Superstruct Entertainment, um dos maiores grupos de festivais da Europa, e a Superstruct pertence à firma de private equity KKR, que comprou o grupo em 2024. É dessa compra que nasce toda esta história. Quando um fundo assume o controlo de uma carteira de festivais, a questão da propriedade acompanha cada evento do grupo, e a pressão sobre um festival é, na prática, pressão sobre o fundo que está por trás.

A campanha ativista Flow Strike arrancou em 2024, depois da compra. A Flow Strike diz opor-se à propriedade da KKR, apontando investimentos que a campanha associa à ocupação israelita dos territórios palestinianos. Em março de 2025, o PACBI (Campanha Palestiniana pelo Boicote Académico e Cultural a Israel) publicou uma declaração a pedir boicotes dirigidos a toda a Superstruct Entertainment, o que alargou a pressão de um único festival para o grupo inteiro.

Com o que é que o Flow se comprometeu, de facto?

As duas partes anunciaram em 18 de junho de 2026 um acordo conjunto que põe fim ao boicote. Os termos dizem respeito à programação, não à propriedade. Na declaração conjunta, o Flow afirma apoiar o apelo da sociedade civil palestiniana para se abster de determinadas formas de cooperação cultural com as instituições do Estado israelita. O Flow comprometeu-se a continuar a excluir atuações financiadas ou organizadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita ou por outros órgãos do Estado de Israel, e afirmou que não apresentaria artistas israelitas e palestinianos em conjunto de formas que "deem a falsa impressão" de que os dois lados estão em pé de igualdade em condições de ocupação.

O Flow diz que quer ser "um pioneiro, tanto na Finlândia como internacionalmente, numa produção de festivais eticamente sustentável".

São compromissos que um festival pode assumir sozinho, dentro do seu próprio processo de programação. Custam muito pouco ao promotor e permitem que ambos os lados reivindiquem um resultado.

O que é que continua por resolver?

A questão da propriedade. A Flow Strike reconheceu que parte dos seus objetivos mais amplos não foi alcançada: a campanha diz que a sua exigência de que a KKR se desinvista de empresas que fazem negócios com Israel continua pendente. Um festival local pode mudar o que programa. Não pode mudar quem é dono da sua empresa-mãe. A edição de 2026 do Flow Festival decorre de 14 a 16 de agosto de 2026 no recinto da antiga central elétrica de Suvilahti, em Helsínquia, e fá-lo ainda dentro do grupo Superstruct, ainda sob a KKR.