O que muda de verdade?
A Francisco Partners vendeu a sua posição na Muse Group, a empresa cipriota dona do Audacity, MuseScore, Ultimate Guitar, StaffPad e da editora de partituras Hal Leonard. Os valores não foram divulgados. O detalhe que importa: ninguém comprou essa posição. A Muse Group financiou a saída com linhas de crédito sénior do JP Morgan e caixa própria, por isso a dívida passa para o banco e o fundador Eugeny Naidenov fica com o controlo maioritário, ao lado do presidente executivo Mo Chahdi.
É o oposto da saída clássica de um fundo, em que um passa as chaves ao seguinte. Aqui o fundador recomprou a independência, a crédito.
Porque é que um produtor de house deveria ligar a isto?
Porque são as ferramentas em que aprende uma geração inteira. O Audacity é o editor gratuito onde imensos produtores de quarto montaram os primeiros loops; o MuseScore e o Ultimate Guitar são onde se tiram as partes. Quem os possui decide se continuam gratuitos, como tratam os teus dados e até onde o código fica aberto.
E a Francisco Partners não é estranha a esta cena. Antes da Muse Group foi dona da Native Instruments, a casa do Maschine, Komplete e Traktor. O mesmo fundo esteve, portanto, por trás de um grupo de software de referência e de um dos maiores nomes do equipamento de produção. O private equity a mandar no software que abres todos os dias já não é exceção. É a estrutura.
E agora, para a Muse Group?
Um fundador de novo ao leme, um balanço carregado de dívida bancária e vontade assumida de comprar mais. O plano soa a conglomerado de ferramentas criativas em construção. A grande dúvida é a que os utilizadores arrastam desde que a Muse comprou o Audacity em 2021 e propôs uma telemetria que provocou uma onda de críticas e forks como o Tenacity: vai o Audacity continuar gratuito, aberto e discreto sobre o que recolhe?



