O que é uma DAW de fita?

A maioria das estações de trabalho de áudio digital vende-lhe precisão: faixas ilimitadas, recuperação perfeita, desfazer para sempre. O GCS Model 8 v3.0 vende-lhe exatamente o oposto. É um estúdio autónomo construído em torno de um gravador de rolo a rolo de 24 faixas modelado, onde a própria fita é o instrumento. O software simula o comportamento do transporte e o carácter físico da fita magnética, do wow e do flutter ao envelhecimento do óxido e à adesão e deslize (stick-slip), em formatos que vão da fita-mestre de 1 polegada até à cassete. Dá para percorrer os rolos à mão, dobrar a afinação com um braço de tensão e até pintar o desgaste sobre a fita com pincéis de defeitos para quebras de sinal, vincos e arrastos.

Para quem é, na verdade?

Para quem persegue o carácter analógico sem sair do computador (in the box). Os produtores de lo-fi house, dub techno, downtempo e beats passam anos a empilhar plugins de emulação de fita para sujar um som digital limpo demais. O Model 8 inverte isso: em vez de adicionar a fita no fim, grava-se dentro da fita desde o início, e as suas limitações moldam a captação. Não é subtil, e é mesmo essa a ideia. Também traz os seus próprios instrumentos, um sintetizador mono, um sintetizador poli, a caixa de ritmos Voxtone e um teclado de palco, além de eco de fita, reverbs, compressão e EQ, e consegue hospedar os seus próprios plugins VST3 e AU.

Como se compara com os plugins de emulação de fita?

Um plugin de fita colore uma faixa que já gravou limpa. Uma DAW de fita faz com que toda a sessão viva ou morra na fita desde a primeira nota, por isso o wow, a saturação e o desgaste fazem parte da forma como toca, não de um filtro de acabamento. A 59,99 dólares no lançamento para três dispositivos, com uma versão para iPad em beta gratuita no TestFlight e um teste completo de 10 dias, sai também muito mais barato do que um único pacote de plugins de fita topo de gama, o que explica em boa parte por que os produtores estão atentos.