O que exatamente esgotou no Victoria Yards neste fim de semana?

Haus of Kühl, a noite única apoiada pela Jägermeister que se tornou uma das datas mais aguardadas de Joanesburgo, tomou conta do Victoria Yards em Lorentzville no fim de semana de 24 e 25 de julho, segundo a TimesLIVE e a Texx and the City. As duas fases de ingressos se esgotaram antes mesmo do fim de semana: a fase 1 esgotou primeiro, e a fase 2, aberta em junho para atender à demanda, também se esgotou. A equipe de marketing da Jägermeister nomeou cinco artistas como seus “Haus of Kühl Meisters” oficiais: Young Stunna, Focalistic, Fokofpolisiekar, KMAT e Van Pletzen, apoiados por um line-up complementar que inclui Atmos Blaq, Njelic, Sam Deep, 031 Choppa com Uncool, Yolophonik, Deniece Marz e BeatsByChe, distribuídos por vários palcos com instalações artísticas integradas ao espaço do Victoria Yards.

Esse line-up mistura gêneros de propósito: o amapiano convive com hip hop, música eletrônica e rock alternativo afrikaans, exatamente o formato que os maiores eventos sul-africanos têm adotado, ao contrário do modelo de festival de gênero único em que os atos house e amapiano exportáveis costumam ser reservados assim que saem do país.

Quem é a KMAT, e o que ela está realmente prometendo?

Entre os cinco Meisters, KMAT é quem carrega mais peso do lado eletrônico. Criada em Soshanguve, começou a tocar em 2020, foi eleita Produtora do Ano 2024 pela DJ Mag South Africa, somou duas indicações ao MMA, e já se apresentou no International Music Summit de Ibiza, o grande encontro anual da indústria dance. Ela disse à TimesLIVE que quer “se emocionar” e “emocionar o público”, mesmo que isso signifique tocar “fora do que normalmente se ouve e se toca”, e que já está cansada de ser “encaixotada e colocada em disputa com outras mulheres quando é uma artista além do seu gênero”. Sobre o que está preparando para o Haus of Kühl, permaneceu propositalmente vaga.

"Preciso guardar como surpresa. Estamos preparando algo especial para o público.", KMAT à TimesLIVE

Ela não deu mais detalhes, e nenhum dos dois veículos trouxe informações adicionais antes do show.

Por que o resto da cena deveria se importar com um esgotamento que ninguém viu chegar?

Essa é a verdadeira história: um evento em escala Jägermeister, encabeçado em parte por uma DJ com credenciais em Ibiza, esgotou os ingressos duas vezes num mercado que a imprensa dance internacional mal acompanha no dia a dia. Os artistas de amapiano e afro house sul-africanos são levados para fora, reservados nos grandes festivais europeus e noticiados assim que pisam lá; a cena local que efetivamente os produz, e que lota suas próprias casas sem precisar dessa validação externa, quase não recebe cobertura até que um veículo local aponte isso depois do fato. Joanesburgo não está esperando a imprensa dance ocidental perceber que tem um underground funcional, que vende seus próprios ingressos sozinho. Ela já tem.