Por que Underground Resistance em Houghton e um acontecimento?

Underground Resistance e uma das instituicoes mais intransigentes do techno ha trinta anos. Mike Banks construiu este coletivo de Detroit para resistir, manter-se invisivel, nunca ceder. Tocam quando querem, nos contextos que escolhem, e raramente em grandes festivais europeus do mainstream. A sua estreia em festival britanico em Houghton nao e uma simples reserva de rotina.

Houghton levou sete anos a construir a sua reputacao de festival artisticamente mais serio do Reino Unido. Sem EDM, sem oportunistas, sem compromisos. Cada edicao parece uma carta que o underground escreve a si proprio. A colaboracao com o poeta e musico Saul Williams da ao set do UR uma espinha conceptual precisa: e uma actuacao ao vivo com um eixo proprio, nao um simples drop de DJ.

"Percebe-se o que um festival realmente pensa da musica ao olhar para quem ocupa os slots menos vistos. Em Houghton, esses slots e onde se constroem carreiras."

Quem estreia em Houghton este ano?

A lista de estreias merece tanta atencao quanto as cabecas de cartaz. Djrum chega apos anos a ser um dos selectors mais refletidos do circuito. Mark Ernestus e Tikiman trazem o pulso mais minimalista de Berlim para Norfolk. Aurora Halal, Paquita Gordon e CCL completam uma lista de primeiras vezes com mais profundidade do que o cartaz completo da maioria dos festivais.

Os nomes habituais contam a mesma historia: Ricardo Villalobos, Ben UFO, Helena Hauff, Nicolas Lutz, Calibre, Peverelist, Rhadoo, Jane Fitz. Nenhum conhecido fora do circuito underground. E exactamente esse o ponto.

O sold out diz alguma coisa?

Quase 200 artistas, quatro dias, esgotado, zero concessoes ao mainstream. Houghton e a prova mais directa de que o underground nao precisa de validacao comercial para sobreviver. Sem palcos patrocinados, sem parcerias com plataformas de streaming, sem filas de influencers. Um festival que programa o que acredita, enche cada bilhete e regressa todos os anos a fazer exactamente a mesma coisa.