Juan Atkins foi encontrado inconsciente num quarto de hotel na Cidade do México a 1 de novembro de 2026, antes de um concerto marcado. Tinha 64 anos. A sua agência, a Greensmith Artists, confirmou a morte; nenhuma causa foi divulgada, e ninguém do seu círculo próximo a revelou desde então.

Estava marcado para atuar no Yu Yu Club, na Cidade do México, a 31 de outubro. Não chegou a tocar. Dias antes tinha encerrado uma passagem por Amesterdão, tocando tanto no Dekmantel como no ADE a 23 de outubro. Tinha datas marcadas em Istambul, Tóquio, Osaka e Coreia do Sul para o resto do ano. Estão todas canceladas.

Por que se chama a um único produtor de inventor de um género?

Porque o género tem o nome do seu disco. Em 1980, Atkins e Richard «3070» Davis formam os Cybotron em Belleville, Michigan, fundindo a frieza eletrónica dos Kraftwerk com o peso do P-Funk, lida através de «O Choque do Futuro», de Alvin Toffler. «Clear» (1983), dos Cybotron, é um dos textos fundadores do que se tornaria o techno, e ainda é sampleado e tocado hoje. Atkins seguiu depois a solo como Model 500, gravando «No UFO's» em 1985 na sua própria editora recém-criada, a Metroplex Records. Três anos depois, «Techno Music», dos Model 500, não se limitou a soar como o futuro, deu-lhe um nome. O género ficou com o nome da editora.

Atkins fez tudo isto ao lado de Derrick May e Kevin Saunderson, o trio que Detroit e o resto do mundo acabaram por conhecer como os Belleville Three. Enquanto May levava o lado emocional e orquestral do som e Saunderson procurava o cruzamento pop com os Inner City, Atkins manteve-se mais próximo da lógica de máquina que deu origem a tudo isto: baterias eletrónicas e sintetizadores tratados como instrumentos por si, não como meras ferramentas de estúdio a vestir uma canção.

O que a cena deve realmente a Atkins?

Tudo o que vem depois de uma linha de baixo 303 a 128 BPM passa por aquele círculo de Belleville, e Atkins, em particular, deu a esta música o seu vocabulário. Sem «Techno Music», o som de Detroit talvez ainda estivesse arquivado como electro ou synth-funk. E nunca parou de trabalhar: a Metroplex continuou a prensar discos durante quatro décadas, ressuscitou os Cybotron, e este ano a Tresor reeditou uma versão remasterizada da «Infiniti Collection» do seu projeto Infiniti, trazendo finalmente limpo, para uma nova geração, um catálogo que muita gente só conhecia em vinil riscado.

«Um verdadeiro visionário que abriu a porta a tantos de nós, incluindo eu.», Kevin Saunderson

As homenagens chegaram em poucas horas e não paráram durante dias, uma resposta realmente transversal a toda a cena, rara, longe do habitual ritual das redes sociais. Fatboy Slim chamou-lhe «um verdadeiro pioneiro» que «abriu tantas portas para o resto de nós». Kelly Lee Owens falou de um «rei do techno». Luke Slater disse estar «completamente em choque». Roger Sanchez, lamentando uma série de perdas recentes na mesma publicação, resumiu assim: «Que semana de perdas para a house e o techno».

Por que isto importa

O techno perde quem construiu as suas primeiras máquinas e depois disse ao mundo como lhes chamar. A escala comercial do género, dos armazéns de Berlim aos palcos principais de festivais construídos inteiramente sobre sons que Atkins ajudou a inventar numa cave de Belleville, existe agora sem o homem que abriu essa conta.

O que pensamos

Atkins nunca teve o reconhecimento mainstream dos artistas que construíram carreiras sobre o seu projeto, e essa foi sempre a injustiça da história. Nunca correu atrás dos holofotes; a Metroplex continuou a prensar maxis muito depois de ter sido mais fácil monetizar a lenda. A homenagem desta semana é respeito tardio, não uma revelação. Quem já dançou sobre um padrão de 909 deve-lhe esse disco.