Por que dois pesos-pesados do amapiano lançam no mesmo dia?

O amapiano nunca viveu um momento assim em 31 de julho de 2026. Nesse dia, Kabza De Small, o produtor mais responsável por transformar o amapiano num gênero que as rádios sul-africanas não conseguiam mais conter sozinhas, lança seu novo álbum Tutu. No mesmo dia, De Mthuda, apelidado de «The Landlord» pela forma como domina uma pista só com um baixo e um log drum, lança seu novo EP Noise. Nenhum dos dois lados fala em rivalidade, ao menos publicamente. Mas ver dois dos nomes mais constantes do gênero soltarem um projeto completo nas mesmas 24 horas, sem que nenhum tenha mudado a data para fugir do outro, soa como um gênero confiante o suficiente para se testar sozinho.

Kabza construiu a reputação de produtor a quem grandes estrelas internacionais recorrem quando querem o som amapiano de verdade, não uma versão diluída. De Mthuda fez o oposto: ficar colado ao lado mais cru do gênero, o mais carregado de log drums, enquanto todo mundo corria atrás do crossover. Em 31 de julho, os dois instintos disputam o mesmo ranking, no mesmo dia, diante do mesmo público.

O que tem de verdade em Tutu e Noise?

Tutu é um álbum de 13 faixas, listado em pré-lançamento na Apple Music África do Sul sob o próprio selo de Kabza, Piano Hub, distribuído com exclusividade pela Sony Music Entertainment Africa. É seu primeiro álbum completo depois de uma sequência de singles e parcerias bem dosadas que o mantiveram em rotação constante sem um grande projeto no seu próprio nome.

Noise, segundo a The Yanos Magazine, é o novo EP de De Mthuda, que sai na mesma data. Duas de suas faixas, «Uze Nobani» (com Kammu Dee) e «All Of Us» (com M.Que), já circulavam como avanços antes do lançamento completo.

«Noise representa onde está minha cabeça criativamente agora. É ousado, é diferente, e é sobre me desafiar como produtor.», De Mthuda, sobre o projeto, segundo a The Yanos Magazine

Quem vence em 31 de julho?

Ninguém vence de fato, e esse é o ponto. O Tutu de Kabza é feito para viajar para fora da casa mãe do amapiano, o tipo de disco que acaba tanto numa playlist em Londres ou Lagos quanto em Pretória. O Noise de De Mthuda fala com quem nunca saiu do núcleo underground do gênero. Dividir a atenção dos fãs no mesmo dia é um teste real: será que o público do amapiano já é grande o suficiente para sustentar dois grandes lançamentos ao mesmo tempo, ou um deles vai discretamente comer os números do outro? De qualquer forma, em 31 de julho a cena vai ter a resposta.