Como um festival deste tamanho esgota sem um headliner salvador?

O Kappa não apostou num nome que trava o dedo na tela. Apostou numa promessa que a pista já conhece. O Kappa FuturFestival vendeu toda a lotação de 3, 4 e 5 de julho no Parco Dora graças a uma programação diurna bem trabalhada, não a um artista encarregado de segurar o fim de semana inteiro. Com Solomun, Richie Hawtin, Charlotte de Witte, Amelie Lens, Ben Klock e Marcel Dettmann no cartaz, ninguém compra por um horário só. Compra-se pelo conjunto.

É aí que está o recado silencioso. Os ingressos voaram e depois a revenda oficial abriu de 30 de maio a 26 de junho, porque a procura continuou a empurrar com a porta principal já fechada.

Por que Turim, e não Ibiza ou Berlim?

Por um fim de semana, o mapa do techno se muda para um antigo parque industrial do Piemonte. O velho esqueleto de aço do Parco Dora é o palco, e o formato diurno ao ar livre é justamente o ponto: techno em pleno sol, não uma cave às 4 da manhã.

Uma tomada da cidade inteira, não um único palco: os afters correram de 2 a 5 de julho em oito casas, do Bunker ao Castello di Rivoli.

O elenco dos afters manteve a cidade em movimento até o amanhecer e além: DJ Tennis, Seth Troxler, Skream, Speedy J, Derrick May, Maceo Plex, Rhadoo, Lady Starlight e Darius Syrossian, do Audiodrome e do Q35 Warehouse ao ONE e ao pátio de um museu em Rivoli.

O que este esgotamento diz sobre a economia dos festivais?

Neste ano, outros eventos batalharam para encher seus recintos e mudaram datas atrás da procura. O Kappa fez o contrário. Vendeu todo o fim de semana pela marca e pela curadoria enquanto o resto do setor seguia nervoso. Peggy Gou, Four Tet, Floating Points, Jamie Jones e Seth Troxler estavam no cartaz, mas nenhum deles explica o sold out. Quem explica é a confiança no conjunto.