O que é que a Menura construiu, afinal?

A Menura Audio é uma pequena oficina de Berlim que passou os últimos dois anos a construir equipamento externo para DJ: primeiro a mesa modular MDMX, depois duas caixas MDFX analógicas, um isolador de três bandas e um filtro ressonante. As duas novidades são digitais, e são as que faltavam à cabine. Um Delay e um Reverb, pensados para se posarem no envio e no retorno de uma mesa em vez de numa janela de plugin.

O Delay cobre o terreno esperado, e mais um pouco. Os ecos sincronizam ao tempo, da colcheia a quatro compassos, com um modo de fita para aquele calor saturado dos anos 70, um reverse, autooscilação quando se força a realimentação e um pitch de realimentação quantizado para que as repetições descontroladas fiquem no tom. O Reverb corre um algoritmo de placa com um botão de freeze que segura uma cauda para sempre, um tremolo e um shimmer sincronizados ao BPM, damping, um filtro passa-alto e um modo lo-fi que imita uma caixa granulada dos anos 80.

Porque é que um DJ quereria efeitos externos em 2026?

Toda a mesa de clube já traz a sua secção de beat-FX, e todo o software de DJ inclui delay e reverb, por isso a pergunta é justa. A resposta da Menura são duas coisas, o toque e a gravação. Os dois módulos trabalham a 96 kHz e 32 bits de vírgula flutuante, guardam 20 presets recuperáveis por MIDI, e cada um integra uma interface de áudio USB compatível de classe, para gravar o sinal processado ou o seco diretamente num portátil. O fundador Jasper Lauter apresenta-o como uma ferramenta pensada para o palco que também serve em estúdio: "Fizemos os MDFX para DJs que querem efeitos com qualidade de estúdio debaixo das mãos", diz, "mas o MIDI completo torna-os igualmente capazes no estúdio."

O argumento não é um efeito inédito. É voltar a pôr as suas mãos sobre o efeito.

O hardware é deliberadamente agnóstico quanto à mesa. As caixas são de metal, magnéticas para se prenderem umas às outras e ficarem no lugar, alimentadas por USB-C com ligação em cadeia, e sincronizam de três formas: tap tempo, deteção automática de BPM ou clock MIDI. Ponha-as no envio de uma Pioneer, de uma Allen and Heath ou da própria mesa da Menura e reagem da mesma maneira.

Onde está o senão?

É um financiamento coletivo, com tudo o que isso implica. A campanha abriu a 2 de julho de 2026 e vai até 1 de agosto, com um super early bird a 340 euros cada e entregas prometidas mais tarde. A Menura diz que quase atingiu o objetivo logo no primeiro dia, e pôs online uma demo do motor DSP no navegador para se julgar o som sem gastar um cêntimo, mais honestidade do que a maioria dos lançamentos de equipamento. Ainda assim, 340 euros por caixa é dinheiro a sério para um efeito que a sua mesa provavelmente já faz, e um financiamento coletivo é uma promessa, não um produto na prateleira. Se o ângulo tátil e gravável lhe diz algo, é uma das ferramentas de DJ mais bem pensadas a surgir há algum tempo.