O que exatamente a Nastia está se recusando a fazer?

No dia 19 de outubro, Nastia publicou um vídeo e um comunicado escrito anunciando o cancelamento da turnê norte-americana prevista e a recusa de qualquer data nos Estados Unidos «até que sua política e a do governo mudem de forma fundamental em relação à Ucrânia e a outras partes do mundo que são realmente afetadas por ela». Ela apontou três pontos precisos: o alívio da pressão de sanções sobre a Rússia, a busca por acordos energéticos que beneficiam o país agressor, e as restrições ao apoio militar de que a Ucrânia precisa para se defender, tudo isso enquanto os ataques russos a cidades ucranianas continuam. «A música nunca existiu fora da política para mim», afirmou, apresentando a decisão como uma questão de princípio, não um gesto isolado.

Por que desistir um dia antes de anunciar a turnê?

O momento escolhido é o que o circuito de promotores americanos vai sentir primeiro. Nastia e sua equipe tinham novas datas norte-americanas prontas para serem anunciadas em 20 de outubro, o tipo de anúncio que normalmente significa meses de trabalho prévio com promotores, vistos e logística já fechados. Cancelar tudo um dia antes significa abrir mão de um cachê real e de uma turnê real por uma posição. Para uma DJ que vive de turnês, isso não é uma hashtag: é recusar trabalho de verdade, e isso dá um custo real a uma posição que a maioria dos artistas só escreve numa legenda do Instagram.

É a primeira vez que ela faz isso?

Não, e é a segunda vez que a guerra custa a ela uma data em vez de apenas uma declaração. Em junho de 2022, Nastia se retirou do festival Awakenings, em Amsterdã, em vez de dividir o cartaz com DJs russos que considerava tolerantes com a invasão, entre eles Nina Kraviz, e doou seu cachê para causas ucranianas. «Não posso tocar com russos tolerantes com a guerra na Ucrânia», disse na época. O cancelamento nos Estados Unidos estende a mesma lógica a todo um mercado nacional, em vez de a um único cartaz de festival.

«A música nunca existiu fora da política para mim.»