O que aconteceu na Native Instruments esta semana?
A inMusic, que também é dona da Akai e da Moog e que adquiriu oficialmente a Native Instruments em maio de 2026 após o pedido preliminar de insolvência da empresa, demitiu cerca de 100 funcionários da NI esta semana. É o que relata a Synth Anatomy, que publicou a informação em 16 de julho de 2026 com base em mensagens trocadas com funcionários demitidos e publicações de um ex-funcionário no Reddit, já que nem a inMusic nem a Native Instruments se pronunciaram publicamente. Os cortes teriam atingido desenvolvimento, hardware e suporte de forma ampla, e um ex-funcionário contou à Synth Anatomy que toda a equipe de suporte ao cliente foi demitida. Parte dos afetados estaria em licença remunerada até setembro, com alguns cargos podendo ser absorvidos por outras marcas da inMusic.
Para uma empresa cujos softwares (Kontakt, Maschine, Komplete) equipam milhares de estúdios e cabines de DJ, eliminar de uma vez toda a equipe de suporte atinge diretamente os clientes, não apenas uma planilha.
Por que um antigo dono está recomprando parte da empresa?
Dois dias depois de a notícia das demissões vir a público, a Plugin Alliance e a Brainworx anunciaram sua saída completa do grupo NI/inMusic. Dirk Ulrich, que fundou a Brainworx há cerca de duas décadas e lançou a Plugin Alliance em 2012 antes de vender as duas marcas para a Native Instruments em 2021, recomprou-as por completo através da RCKFRC, uma nova holding que também é dona da Apogee e da Manley Labs.
"Seus plugins, suas licenças e seus projetos continuarão sendo nossa maior prioridade."
O anúncio apresenta o movimento como continuidade, não ruptura: os clientes atuais mantêm seus softwares e licenças, e o desenvolvimento de produtos continua. Segundo a Synth Anatomy, Winfried Schapitz volta como CEO da Brainworx e Mark Ulrich assume a liderança de marketing e vendas. No roadmap: processamento da Plugin Alliance integrado às interfaces Apogee, e novos plugins desenvolvidos em parceria com a Manley, conectando pela primeira vez todo o portfólio da RCKFRC.
Como a Native Instruments chegou a este ponto?
Os problemas remontam a 2021, quando o fundo de private equity Francisco Partners assumiu uma participação majoritária e financiou, à base de dívida, uma sequência de aquisições que incluiu iZotope, Plugin Alliance e Brainworx. Segundo a Bloomberg, a NI acumulou cerca de 288 milhões de euros em perdas entre 2023 e 2024 frente a 262 milhões em dívida a vencer, e entrou com pedido preliminar de insolvência em janeiro de 2026, depois do fracasso de uma tentativa de venda. A inMusic recolheu os pedaços em maio. Plugin Alliance e Brainworx, as duas aquisições mais recentes da era do private equity, são hoje as primeiras a sair pela porta, de volta às mãos de quem as construiu originalmente.



