Há três semanas, a Native Instruments perdeu toda a equipe de suporte. Agora perde o escritório britânico, o CEO e o diretor técnico.
Segundo documentos corporativos citados pela MusicTech e pela MusicRadar em 11 e 12 de agosto de 2026, a inMusic fechou a operação britânica da Native Instruments, deixando cargos em produto, engenharia, design, finanças e marketing em risco. O CEO Nick Williams e o diretor de produto e tecnologia Simon Cross foram ambos removidos. Richard Seymour, que já comandava a inMusic Europe, assume agora a Native Instruments UK.
A notícia circulou primeiro no Reddit, num post que dizia: "As demissões continuam: a InMusic acabou de demitir todo o escritório da Native Instruments no Reino Unido... O que todo mundo já pensava sobre a InMusic se confirma mais uma vez." A inMusic confirmou à MusicTech que há mudanças organizacionais em curso, apresentando-as como a remoção de "camadas criadas para sustentar um modelo de propriedade de private equity".
Por que agora?
A inMusic comprou a Native Instruments em maio de 2026, meses depois de a empresa berlinense entrar em insolvência preventiva sob a antiga dona, a gestora Francisco Partners. A TTH acompanhou o que veio a seguir: em meados de julho, cerca de 100 pessoas já tinham deixado a Native Instruments em vários departamentos, incluindo toda a equipe de suporte, na mesma semana em que Dirk Ulrich, fundador da Plugin Alliance e da Brainworx, recomprou as duas empresas da inMusic. O fechamento do escritório britânico segue o mesmo roteiro de integração, departamento por departamento. Entre os cargos apontados: um gerente de produto, um designer de produto, um gerente de engenharia, a diretora financeira, a VP de marketing global e engenheiros seniores, vários deles responsáveis por Maschine, Kontakt e Komplete.
O que a inMusic realmente diz?
A declaração da inMusic à MusicTech fala em "simplificar nossa estrutura organizacional e legal" e garante que "a Native Instruments continua sendo uma marca estrategicamente importante para a inMusic, e nosso compromisso com ela é o mesmo. O desenvolvimento de produto segue em ritmo forte, com grandes iniciativas de hardware e software já em andamento para 2027 e além." É o mesmo discurso tranquilizador feito após a compra da Moog Music em 2023, negócio seguido de cerca de 30 demissões e da transferência da fabricação americana da Moog para Taiwan.
"O que todo mundo já pensava sobre a InMusic se confirma mais uma vez."
O que acontece agora com Komplete, Maschine e Kontrol?
Ninguém fora da inMusic sabe, e esse é exatamente o problema. Komplete é a biblioteca de plugins e samples sobre a qual dezenas de milhares de produtores constroem suas sessões; Maschine e Kontrol são equipamentos planejados no orçamento do estúdio com anos de antecedência. Perder o diretor técnico, a VP de design de produto e o gerente de engenharia no mesmo documento não parece uma empresa protegendo seu roteiro de produto. Parece uma empresa protegendo seu balanço e deixando o roteiro para depois, se é que vem.
Por que isso importa
Todo produtor com Komplete instalado, uma Maschine na mesa ou um teclado Kontrol como controlador MIDI depende agora de uma empresa que cortou seu suporte e sua direção britânica com apenas três semanas de diferença, sob um dono cuja última grande aquisição terminou com uma fábrica transferida para o exterior.
O que achamos
O discurso da inMusic sobre eliminar "camadas do private equity" soaria melhor se a própria inMusic não fosse quem está cortando agora. A história da Moog é reveladora: comprar a marca, manter o nome na caixa, esvaziar a empresa de quem a construiu. Nada aqui prova que o desenvolvimento de Komplete ou Maschine vai travar, mas nada prova o contrário também, e essa incerteza é exatamente o que um produtor que apostou seu fluxo de trabalho nesse ecossistema não pode se dar ao luxo de carregar.



