O que Noizu cancelou, e por quê?

Noizu, produtor britânico de tech house contratado pela Solotoko (selo de Sonny Fodera) e pela Repopulate Mars (selo de Lee Foss), cancelou três datas nos Estados Unidos em agosto de 2026: 14 de agosto em Boston (The Grand), 15 de agosto na Filadélfia (The Ave Live) e 22 de agosto em Los Angeles (Shrine Expo Hall), segundo a Exron Music. O motivo apontado foram atrasos contínuos no visto americano, que o deixaram preso em Londres, sem conseguir viajar, mesmo Los Angeles sendo exatamente onde ele mora.

Sua equipe adiou as datas para 2027 e reembolsa cada ingresso integralmente.

"Arrasado com essa situação, sinto muito por todo mundo que já tinha comprado ingresso."

Quanto custa, na prática, viabilizar uma turnê pelos Estados Unidos?

O caso de Noizu se encaixa num problema já documentado do setor. Segundo a NPR e a Houston Public Media, o processamento premium (acelerado) do visto americano agora custa 2.965 dólares por pedido, e advogados de imigração descrevem esse pagamento como praticamente obrigatório para qualquer artista em turnê que precise cumprir datas fechadas com meses de antecedência. O processamento padrão pode demorar o suficiente para inviabilizar todo o roteiro de uma turnê, então agentes e empresários cada vez mais precisam reservar quase três mil dólares por pedido só para comprar velocidade, além dos custos básicos do visto e honorários advocatícios.

Noizu é um caso isolado ou um sintoma?

Ele não é um caso isolado. As reportagens da NPR documentam uma tendência mais ampla em 2026: artistas internacionais cancelando ou reconsiderando turnês pelos Estados Unidos justamente por causa da burocracia e do custo dos vistos. Para um circuito de tech house que depende muito de nomes britânicos e europeus para preencher line-ups de clubes e festivais americanos, um sistema em que conseguir um visto de trabalho custa mais do que alguns cachês de clube é um problema de logística que todo agente já precisa calcular antes de confirmar uma data.