O que acabou de abrir em Brooklyn?

As cerejas mais famosas da música de clube estão agora penduradas sobre Nova Iorque. O Pacha New York abriu em junho no número 140 da Stewart Ave, em East Williamsburg: pela primeira vez a instituição de Ibiza põe o seu nome numa sala americana permanente. Mais de cinco décadas depois de a Pacha abrir na ilha branca em 1973, esta é a sua estreia oficial nos Estados Unidos, e não chega a Manhattan mas ao cinturão de armazéns de Brooklyn, onde já se juntam os maiores públicos eletrónicos da cidade.

Porquê o Brooklyn Mirage, precisamente?

Porque a morada era ao mesmo tempo uma oportunidade e um aviso. O complexo era o Brooklyn Mirage, a peça central a céu aberto do Avant Gardner, até desabar de forma espetacular: uma reabertura falhada em 2025, reembolsos, processos e depois o silêncio, sem uma única festa durante mais de 20 meses. A Pacha entrou nessa casca vazia, e na política de bairro que vinha com ela, ultrapassando uma reunião tensa da junta de bairro e uma audiência disputada sobre a licença de álcool antes de tocar um único disco. Fazer reviver uma sala deste tamanho, com um passado recente assim, é uma aposta séria no apetite nova-iorquino por clubbing em larga escala.

Quem está por trás e quem tocou?

O operador é a FIVE Holdings, o grupo hoteleiro sediado no Dubai que controla a marca Pacha, e que gere a sala por contrato de gestão e não por compra. A programação, ao menos por agora, aposta na música mais do que no teatro das mesas VIP de que a Pacha às vezes é acusada. A abertura foi liderada por Solomun, cuja noite de gala foi o seu primeiro set em Nova Iorque em plena temporada de Ibiza em cerca de uma década, ao lado de Black Coffee e Michael Bibi, com Rampa e Prospa antes, e um aceno à história da cidade com Danny Tenaglia, Joe Claussell e François K. A temporada inaugural vai até outubro.

Uma cadeia global que reabre a maior sala eletrónica de Nova Iorque é ou um resgate ou uma tomada de controlo, e é a política de porta que o vai dizer.