Quantas pessoas com mais de 50 anos realmente ainda curtem baladas?

Mais do que a indústria gosta de admitir. O próprio estudo «EverGroover» da Eventbrite sobre o mercado britânico registrou mais de 3,7 milhões de britânicos com mais de 45 anos indo a baladas pelo menos uma vez por semana, ante pouco mais de 2 milhões quando a pesquisa foi feita pela primeira vez em 2019. Entre os mais de 170 clubbers que se autodefiniram como «EverGroovers», 60% disseram que nada os fará parar, 41% garantem ter mais resistência do que clubbers com metade da idade deles, e quase um quarto afirma curtir a noite com mais intensidade aos quarenta anos do que na juventude.

A diferença geracional não está na resistência, mas no olhar. O mesmo estudo constatou que os britânicos situam, em média, aos 39 anos a idade em que ir a uma balada se torna «inadequado», e que 62% dos jovens de 18 a 24 anos acham que clubbers mais velhos destoam na pista. Para Gordon Mac, 59 anos, fundador da Kiss FM e da Mi-Soul Radio, isso não tira o sono: «A gente trouxe as raves para o mainstream e deu início à cena house britânica. Para mim e para muita gente da minha geração, música e festa fazem parte da nossa alma, é um jeito de viver.»

Quem são os ravers que na verdade nunca foram embora?

Numa noite de reencontro no The Arch, em Brighton, a maior parte do público tinha entre o fim dos quarenta e o início dos cinquenta anos: veteranos do Sterns, uma casa de rave da costa sul fechada havia cerca de trinta anos, de volta para uma última noite. «Nunca achei que ir a baladas fosse coisa só de jovem», contou o DJ Colin Dale à DJ Mag. Sally Rodgers, uma das metades da dupla A Man Called Adam, resume de forma mais direta: «Talento e trabalho duro não têm idade nem gênero.» The Black Madonna aponta um problema mais profundo por trás da nostalgia, o de uma cena que praticamente não tem um roteiro para o que é uma DJ mulher envelhecendo: «Na real, a gente não tem um conceito do que é uma gênia envelhecendo.»

Não é só um fenômeno de noite de reencontro. Os DJs que de fato construíram a cena acid house britânica do fim dos anos 1980 continuam trabalhando. Danny Rampling, hoje com 64 anos, ainda aparece em line-ups de festivais ao lado da geração que ajudou a criar, décadas depois, e os promotores perceberam isso: cartazes montados em torno de nomes veteranos como Carl Cox, Sasha e Paul Oakenfold são cada vez mais pensados como atrativo nostálgico, e não como escalação exótica.

Por que festivais e promotores correm atrás desse público?

Principalmente por dinheiro. Ravers mais velhos costumam ter mais renda disponível e menos desculpas para não pagar o ingresso premium, o que explica por que upgrades de glamping e pacotes de hospitalidade entraram nas tabelas de preço dos festivais, pensados especialmente para eles. O formato também se adaptou: em Londres, a Morning Gloryville, pioneira da sober rave sem álcool nem drogas das 6h30 às 10h30 desde 2013, nasceu exatamente dessa intuição, uma pista que funciona tanto para quem tem 25 quanto para quem tem 65 anos, presente pela música sem precisar da ressaca das 4 da manhã.

A avó australiana Lynne Cole, 57 anos, já foi a mais de 50 festivais desde que redescobriu a música eletrônica numa rave com os filhos gêmeos em 2015. Costuma ir sozinha, às vezes de motorhome, e não tem plano nenhum de parar.

«Estamos todos ali pelo mesmo motivo, nos conectar aos DJs e à música deles, não importa a idade.»

Ninguém nessa história está reivindicando um retorno. A maioria nunca foi embora.