Depois de quase duas décadas a moldar a cultura da música eletrónica na Roménia, a Sunwaves chegou a Ibiza com uma residência de 12 datas no Playa Soleil. Alexa, a organizadora que supervisiona o marketing, a estratégia e o booking, explica como o festival protege a sua identidade ao entrar num dos destinos mais consolidados da música de dança.
«Ibiza terá sempre importância para a cultura da música eletrónica, ao lado de Detroit, Chicago, Londres e Berlim.»
Numa época em que os eventos de música eletrónica se constroem cada vez mais em torno de ecrãs, espetáculo e atuações curtas e rigidamente programadas, a Sunwaves seguiu sempre outra filosofia.
Não há enormes paredes de LED a disputar a atenção. Nem lasers a dominar a sala. Nem interrupções desnecessárias que obriguem o público a sair de um espaço para procurar uma afterparty noutro lugar.
Em vez disso, dá-se tempo à música.
Os DJ são incentivados a tocar sets prolongados sem seguir uma estrutura rígida, enquanto a pista continua a ser o centro da experiência. O som Funktion-One, o video mapping ao vivo, as estruturas de madeira e um chão de praia famoso pelo seu salto completam um cenário pensado para longas horas de dança ininterrupta.
«Os critérios mais importantes são a música e a criatividade. Nada mais se aproxima sequer.»
Agora, quase vinte anos após a sua primeira edição romena, a Sunwaves leva essa filosofia a Ibiza através de uma residência de 12 datas, às quartas-feiras, no Playa Soleil.
Para Alexa, que supervisiona a organização dos eventos da Sunwaves entre marketing, estratégia e booking, o movimento representa ao mesmo tempo uma expansão e um teste: como levar uma das instituições underground mais distintas da Roménia a Ibiza sem perder as qualidades que a tornaram especial?
«Nunca procuramos o hype; procuramos a autenticidade.»
Da costa romena ao palco europeu
A relação de Alexa com a Sunwaves começou muito antes de se tornar uma das pessoas responsáveis por moldar o seu futuro.
Assistiu à primeira edição do festival em 2007, antes de se juntar à equipa em 2013 num papel que combinava relações públicas e direção de palco. Ao longo dos anos, foi subindo dentro da organização enquanto aprendia o que é preciso para criar a experiência Sunwaves completa. Desde o ano passado, as suas responsabilidades incluem também o booking de artistas.
A Sunwaves surgiu num momento de transição importante para a Roménia. O país tinha entrado havia pouco na União Europeia, criando novas possibilidades para os visitantes internacionais viajarem para a Europa de Leste e conhecerem a sua crescente cena eletrónica.
Desde o início, o festival colocou os DJ romenos no centro da sua identidade.
«A própria marca destaca os DJ e a cena romenos», explica Alexa, descrevendo uma filosofia que continua a ser fundamental para a Sunwaves hoje.
Esse compromisso ajudou a dar a conhecer ao público internacional toda uma geração de artistas romenos, ao mesmo tempo que reforçava a comunidade em torno do característico som minimal e underground house do país.
«Vamos sempre convidar artistas emergentes ao lado de figuras conhecidas em todo o mundo.»
Mas a Sunwaves nunca se definiu apenas por um género ou por um grupo de artistas. A sua identidade veio também da liberdade que rodeia a música: festas ininterruptas, sets prolongados e a ausência de uma divisão rígida entre o evento principal e a afterparty.
O objetivo era simples: uma vez dentro do mundo da Sunwaves, já não era preciso sair dele.
A pista é a protagonista
O que separa a Sunwaves de muitos festivais contemporâneos não é necessariamente o que acrescenta, mas o que retira deliberadamente.
«A pista é a protagonista», diz Alexa.
Não há máquinas de fumo, ecrãs gigantes nem efeitos visuais excessivos concebidos para transformar o DJ no centro de uma produção ao estilo de um concerto. Pelo contrário, a montagem é intencionalmente orgânica e descontraída.
A cor, as silhuetas de madeira, o video mapping ao vivo, o som Funktion-One e o próprio movimento do chão passam a fazer parte da atmosfera sem sufocar a música.
Tudo está concebido para sustentar longos períodos de dança.
Aos artistas é então dada a liberdade de responder à sala em vez de percorrerem à pressa uma coleção predeterminada de faixas. Os sets prolongados não são tratados como uma novidade ou um recurso de marketing; fazem parte da linguagem musical básica do festival.
«As pessoas deviam aparecer para viver algo mais do que uma festa, um sentido de comunidade num mundo tão desligado.»
Quando lhe perguntam que nomes tem mais vontade de receber na ilha, a resposta de Alexa é pessoal.
«Mal posso esperar por reencontrar os artistas com quem criei uma ligação. A energia de Manda Moor torna-a única. Dubfire b2b Mahony, amigos queridos. tINI, Priku, Mihigh, Gescu, Cristi Cons, Gojnea76, Traumer e Raresh também. Sou uma amante do som romeno até ao osso.»


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