O que é que o Synth-80 emula, e porque importa?
Poucas máquinas carregam a aura do Roland MKS-80 Super Jupiter. Construído entre 1984 e 1987, era na prática um Jupiter-8 montado em rack: oito vozes de analógico a sério, com MIDI completo, e graves que ancoraram inúmeros discos de house, techno, electro e synth-pop. É também um grail cujo preço em segunda mão derivou para muito longe do alcance da maioria dos produtores. O Synth-80 de Jun Murakami apresenta-se como a primeira emulação de software completa do MKS-80, e em concreto da Rev.4 tardia, a revisão sobre a qual os colecionadores discutem.
Até onde foi Murakami?
Não com uma amostragem à pressa. Jun Murakami diz ter modelado o hardware com mais de 100 programas de medição automatizados que cobrem cada circuito e parâmetro, com um ajuste DSP feito a par de uma longa análise de um MKS-80 Rev.4 verdadeiro. O plugin põe todo o caminho do sinal num só ecrã: dois VCO, modulação de VCO, um misturador, filtros passa-baixo e passa-alto separados e dois envelopes ADSR. À volta, uma secção de efeitos com quatro modelos de chorus (incluindo o estilo Juno, o estilo Dimension D e um pitch chorus à Eventide), um reverb com algoritmos hall, plate e room, e um compressor. Há mais de 150 presets de fábrica, e para quem tem o original funciona também como editor e bibliotecário, com transferência de patches por bulk-dump e troca de parâmetros.
Porque o verdadeiro assunto é o preço de 59 dólares
O Synth-80 sai como VST3, AU, AAX e standalone para macOS e Windows, e há uma versão WebAssembly grátis para tocar diretamente num navegador antes de pagar fosse o que fosse. O preço de lançamento é de 59 dólares, contra 99, até 7 de julho. É isso que marca. Um som que até aqui significava encontrar e manter uma peça de Roland vintage de quatro algarismos cabe agora num plugin barato e num separador do navegador. Os puristas vão manter o debate hardware contra software, e ainda bem, mas para um produtor que só quer aquele peso de Super Jupiter por baixo de uma faixa, a barreira acabou de cair.
Os sintes de culto não ficam mais baratos. O software que os substitui, sim.



