Sheffield acaba de perder uma das suas salas underground mais antigas. O Tank, clube de 400 pessoas escondido debaixo de Arundel Gate, entre o Odeon Luxe e a Universidade Sheffield Hallam, realizou a sua última festa este fim de semana, fechando um ciclo de 12 anos iniciado em 2014.

A notícia chegou pelo Instagram a 5 de agosto, apresentada como um fecho definitivo e não uma pausa. "Depois de 12 anos absolutamente incríveis e de alguns dos eventos mais inesquecíveis, é hora de fechar as portas para sempre", lia-se no comunicado. "Foi uma jornada que nunca imaginámos possível em 2014, quando abrimos."

Porquê agora, depois de resistir tanto tempo?

Não era a primeira vez que o Tank enfrentava esta situação. A equipa conta que esteve perto de fechar em 2022, optando então por lutar: uma remodelação completa, um recomeço, uma última tentativa. "Percebemos isso há uns anos e quase fechámos nessa altura", continua o comunicado. "Mas o carinho e o apoio que nos mostraram levaram-nos a tentar mais uma vez. Remodelámos completamente o clube e demos tudo por tudo."

Não foi suficiente. O clube aponta diretamente os custos operacionais, não a afluência nem a programação, como razão para este fecho definitivo. "Vista de fora, parecia um Tank cheio e próspero", explica o comunicado. "Mas nos bastidores, o custo de manter a sala não parava de crescer." Este verão, as contas deixaram de fechar: "Com os custos mensais a disparar, tornou-se impossível continuar."

É a mesma história que os clubes independentes britânicos contam há anos: contas de energia, renda, licenças e seguros a subir mais depressa do que a receita do bar e da bilheteira, sobretudo numa sala empenhada em manter preços baixos. O Tank construiu a sua identidade nisso mesmo, uma sala inspirada no metro de Nova Iorque, equipada com sistema Funktion-One, gerida junto com o veterano do bassline de Sheffield Jamie Duggan, ligado à sala desde a sua abertura. "Os maiores nomes, o melhor som, iluminação de ponta, um ambiente imbatível, tudo isto mantendo preços acessíveis nas bebidas e nos bilhetes", resumiu o clube sobre o seu próprio padrão. "No clima atual, esses padrões simplesmente já não são sustentáveis."

O que representava realmente o Tank?

Em 12 anos, o Tank tornou-se um viveiro para as cenas house, tech, bassline e bass de Sheffield, uma sala no centro da cidade que recebeu Patrick Topping, Solardo, Hybrid Minds, Chase & Status, Shy FX, Gorgon City e Eli Brown, sem nunca afastar os seus habituais pelo preço. É exatamente o tipo de sala independente e de média dimensão que o setor underground britânico continua a perder: não é famosa o suficiente para uma campanha de salvamento mediática, nem grande o suficiente para absorver o aumento de custos como faria um operador maior.

"Vista de fora, parecia um Tank cheio e próspero. Mas nos bastidores, o custo de manter a sala não parava de crescer."

Não há plano de reabertura em cima da mesa, nem comprador anunciado. A equipa apresentou o fecho como definitivo e ponderado, resultado de anos a tentar fazer as contas baterem certo, não um colapso repentino.

Porque é que isto importa

O fecho do Tank junta-se a um padrão que a cena britânica observa há anos: clubes independentes de média dimensão que afundam só por causa dos custos, sem escândalo nem culpado apontado, o que torna precisamente a tendência mais difícil de combater. Cada perda deste tipo reduz o viveiro de salas onde a próxima geração de DJs e promotores de uma cidade se forma.

O que achamos

Um clube não se remodela sozinho, não aguenta mais quatro anos depois de quase fechar, para depois fechar mesmo se ainda houvesse uma solução fácil em cima da mesa. O comunicado do Tank soa a uma equipa que realmente tentou. A questão de fundo não é o Tank em particular, é que "remodelámos tudo e demos tudo por tudo" está a tornar-se a frase típica de despedida dos clubes independentes britânicos, e isso devia preocupar quem quer que se importe com a origem das próximas cenas.