A Teenage Engineering construiu o seu nome em cima de máquinas que viciam: o OP-1, o OP-XY, a série PO de bolso que aparece em metade dos vídeos de estúdio no YouTube. Agora é o próprio CEO quem diz querer sair desse negócio.

O que disse exatamente Kouthoofd?

Segundo a Gear News, o CEO da Teenage Engineering, Jesper Kouthoofd, disse à sua equipa que a empresa quer parar completamente de fabricar sintetizadores, citando diretamente o OP-1, o OP-XY e a linha Pocket Operator. A sua justificação:

"Não deveríamos lucrar com os produtos."

Acrescentou que, na sua visão, o verdadeiro valor está na empresa como um todo, não em nenhuma peça de hardware vendida isoladamente.

Porquê virar as costas ao que construiu a marca?

Kouthoofd terá partilhado o plano com a equipa durante uma reorganização no outono de 2025. Em vez de vender unidades por margem, quer orientar a Teenage Engineering para projetos experimentais com ciclos de cinco a dez anos, o tipo de trabalho longo e especulativo que não encaixa numa lógica de vendas trimestrais. É uma rejeição direta da mecânica que construiu o seguimento de culto da marca: lançar um objeto bonito e difícil de encontrar, ver o preço subir no mercado de revenda, recomeçar.

O OP-1 vai ser descontinuado amanhã?

Não. A Gear News relata que não existe nenhum prazo oficial nem data de descontinuação para os produtos existentes, e o OP-1, o OP-XY e os Pocket Operators continuam à venda. O que mudou foi a intenção declarada no topo da empresa, não o catálogo.

Como é isso de ir "além do produto"?

A Teenage Engineering já vinha avançando nessa direção, em silêncio. A empresa fez trabalhos de design e engenharia para a consola Playdate da Panic, o Rabbit R1, os telemóveis da Nothing e as colaborações Frekvens e Vindstyrka com a IKEA, contratos externos em que é o cliente quem comercializa o produto e a TE é paga pelo trabalho em si. Se a visão de Kouthoofd se concretizar, esse modelo de serviços e projetos experimentais passaria a ser o centro do negócio, e não uma atividade paralela financiada pelas vendas do OP-1.

Para os produtores que montaram todo o seu live em torno de uma cadeia de Pocket Operators, a pergunta não é filosófica. É se o equipamento de que já dependem continuará a ter suporte, reparação e, um dia, substituição, ou se vai simplesmente envelhecer em silêncio.