Por que o Unsound está se dividindo em duas cidades?
Vinte e três anos depois de começar como um punhado de shows nos porões de Cracóvia, o Unsound faz algo inédito com sua edição polonesa principal: dividi-la em duas. O Unsound 2026 abre em Varsóvia de 2 a 6 de outubro, e depois leva toda a operação para Cracóvia de 8 a 11 de outubro, conectadas por um trem Unsound dedicado que roda em 7 de outubro, com apresentações montadas a bordo. Um passe semanal dá acesso às duas cidades, e os organizadores garantem que nenhuma programação se repete entre elas.
É uma aposta estrutural, não uma frase de marketing. O Unsound organiza edições satélites no exterior há anos, em Nova York, Londres, Toronto, Adelaide, Minsk e Tbilisi, mas sua edição polonesa histórica sempre foi baseada só em Cracóvia. Dividir a própria edição principal, com um trem pensado especificamente para levar o público entre as cidades, transforma Varsóvia não numa filial, mas numa segunda capital do festival.
Por que a primeira apresentação de Arca em Varsóvia importa?
O sinal mais claro do que representa a etapa de Varsóvia é Arca. A produtora, vocalista e performer venezuelana já tocou na edição de Cracóvia, mas 3 de outubro marcará sua primeira apresentação em Varsóvia, e ela não está apenas preenchendo um horário. Arca toca seu álbum Airdoll e co-cura toda a noite ao redor dele, um programa que inclui um b2b com Bobby Beethoven, um set de Mica Levi e um show audiovisual de KAVARI.
Entregar uma noite co-curada a uma artista que passa uma década desmontando a música de clube por dentro, reggaeton, ópera, ambient e noise fundidos numa obra contínua, é exatamente o tipo de booking sobre o qual o Unsound construiu sua reputação: não o nome mais vendável disponível, mas aquele cuja presença explica o tema.
Quem mais toca, e do que trata o SOFT POWER?
O restante dessa segunda leva mantém a mistura habitual do festival entre drone, dub e extremos de pista: Donato Dozzy faz um show em Varsóvia antes do festival, Sarah Davachi e Wendy Eisenberg trazem composições de longa duração, e Diamanda Galás se apresenta na Filarmônica de Varsóvia, uma data rara em sala clássica para uma voz que desestabiliza plateias há quatro décadas. No lado clube estão Kode9 b2b Nikki Nair e Batu b2b Virgo Deep. Eles se juntam a Tim Hecker, Actress e PPP já anunciados.
Tudo isso está sob o tema curatorial deste ano, SOFT POWER: linguagem, vigilância e o que os organizadores chamam de controle algorítmico, pensado em torno do que descrevem como um momento de lei do mais forte. O Unsound sempre usou seu tema como uma lente, não como um slogan, e a edição de 2026 soa como uma resposta direta a um ano marcado por música gerada por IA, controle de plataformas e vigilância se infiltrando em toda conversa sobre o próprio som.
Um passe semanal dá acesso a Varsóvia, ao trem e a Cracóvia, sem que nenhuma programação se repita entre as duas cidades.



