O que o palco Galaxy realmente faz de diferente este ano?
Por anos, o Galaxy foi a sala techno interna do UNTOLD, o contrapeso aos fogos de artifício e às atrações pop que lotam a Cluj Arena do lado de fora. Para o UNTOLD ONE, a nova identidade 2026 do festival (6 a 9 de agosto), esse palco ganha um perfil mais definido: deep house e hard techno, ponto final, com Maceo Plex e Gordo à frente nas quatro noites. A grade do fim de semana no Galaxy é densa: Solomun, Carl Cox, Jamie Jones, Joseph Capriati, Mau P, Nic Fanciulli e Sara Landry tocam todos lá, e a sexta-feira à noite fica por conta do UNTOLD x Zamna, que reúne Maceo Plex e Gordo aos romenos Arapu, Cristi Cons, Mihigh e Mihnea Rog.
O Galaxy é o palco onde o UNTOLD tenta provar que merece o respeito do techno, não só a sua plateia.
Não é uma escolha de programação qualquer. O UNTOLD, segundo a DJ Mag, reuniu mais de 470 mil pessoas em Cluj-Napoca em 2025, número que o festival usa para reivindicar o título de evento com maior público diário do mundo, à frente do total acumulado do Tomorrowland. Um festival desse tamanho escolher construir uma sala principal em torno de deep house e hard techno, em vez de tratar o gênero como preenchimento entre sets de EDM, é uma declaração sobre onde ele quer buscar credibilidade daqui para frente.
Por que a presença de Gordo importa mais que a de Maceo Plex?
Maceo Plex não é surpresa nenhuma. Ele está há duas décadas nas salas sérias da minimal e do techno, das residências no Hï em Ibiza ao Printworks em Londres, e colocá-lo no Galaxy é simplesmente o UNTOLD pagando por um nome já consolidado. Gordo é a aposta interessante. Ele construiu a carreira como Carnage, produtor de trap e EDM de mainstage com um catálogo próximo ao de Steve Aoki, antes de se rebatizar Gordo sob o selo Solotoko para migrar para a house e a tech house, em busca de uma credibilidade que aquele nome nunca teve. Escalá-lo para o Galaxy em vez do palco principal é o UNTOLD apoiando essa guinada, apostando sua própria sala underground em um artista que ainda precisa provar que pertence a ela. Falta ver como o público do Galaxy, não o release de imprensa do festival, vai recebê-lo.
O que isso sinaliza para a cena underground do Leste Europeu?
A Romênia já tem uma história real de house e techno, do Sunwaves aos circuitos de clubes de Bucareste e Cluj, que recebem regularmente Villalobos, Raresh e a cena minimal em geral. O UNTOLD ofusca tudo isso em escala, e um festival desse tamanho escolher formalizar uma sala de deep house e hard techno, em vez de deixar o gênero viver apenas em eventos locais menores, dá à cena underground do Leste Europeu um palco e um público muito maiores. Se o Galaxy mantém sua credibilidade vai depender de as próximas edições continuarem escalando artistas como Maceo Plex, ou se apoiarem cada vez mais em nomes que fazem o que Gordo está fazendo agora.



