O que estará exatamente no local?
Uma caravana médica móvel vai estacionar junto ao recinto do UNTOLD durante os quatro dias da 11.ª edição do festival, de 6 a 9 de agosto em Cluj-Napoca. Quem tiver pulseira do UNTOLD pode aparecer livremente para um teste de HPV gratuito ou uma ecografia mamária, além de aconselhamento, sem qualquer sistema de marcação separado a somar ao bilhete do festival. Os rastreios são feitos por médicos especialistas do Instituto de Oncologia de Cluj-Napoca, em parceria com a Fundação Renasterea, uma organização sem fins lucrativos romena que há mais de duas décadas leva a cabo programas gratuitos de educação e rastreio do cancro por todo o país.
Porque é que um festival faz isto, e porquê agora?
Os festivais atingem exatamente a faixa etária que costuma saltar os rastreios de rotina: pessoas sobretudo entre o final da adolescência e o final dos vinte e poucos ou trinta anos, que se sentem saudáveis e raramente entram num consultório médico por iniciativa própria. A imprensa romena que cobre o lançamento descreve-o como uma primeira vez europeia a esta escala: um evento de quatro dias, com o alcance de uma pequena cidade, construído em torno de dançar até ao nascer do sol, que agora também faz, discretamente, em um quarto de hora por pessoa, aquilo a que uma campanha de saúde pública dedica um ano inteiro.
Isto muda mesmo alguma coisa?
Uma caravana móvel só consegue atender uma fração das várias centenas de milhares de pessoas que passam pelo Cluj Arena ao longo de quatro dias: esse é o limite honesto aqui. Mas o modelo custa praticamente nada a acrescentar ao festival, e transforma um momento cativo e sem atrito (já se está lá, já se está de folga, já se está numa fila para outra coisa) numa oportunidade de rastreio em vez de a desperdiçar. Se resultar, é o tipo de ideia que outros festivais podem copiar numa única temporada.
Um bilhete de festival que, discretamente, também serve de consulta de rastreio do cancro no mesmo dia é uma forma estranha, e boa, de aproveitar um público cativo.



