O que foi o Watergate?

Watergate abriu em 2002 nas margens kreuzberguesas do Spree, sob a ponte Oberbaumbrücke. Durante 22 anos manteve uma programação no extremo sério do techno, tech-house e house sem nunca derivar para o excesso dos bookings de prestígio. O chão de vidro com vista para o rio era um ícone de design. Os residentes eram residentes no sentido antigo: pessoas que tocavam lá regularmente porque pertenciam a esse espaço, não porque havia um slot a preencher.

Fechou definitivamente na noite de Ano Novo de 2024. Sem insolvência declarada, sem conflito público com o senhorio, sem escândalo. Fechou porque decidiu fazê-lo, o que é ao mesmo tempo raro e, na economia actual dos clubes berlinenses, quase milagroso.

«Há clubes que fecham e deixam um vazio, e clubes que fecham sem deixar nada. O Watergate deixou um vazio.»

Em que consiste a série do SAGE?

SAGE Berlin é um espaço outdoor junto ao Spree no leste de Berlim, um espaço de grande capacidade exterior que um clube interior tão compacto como o Watergate nunca teve. A série de 2026 estende-se por seis sábados de maio a setembro. As datas restantes são 8 de agosto e 5 de setembro.

A lineup parece uma festa de despedida do Watergate espalhada por todo um verão. Sven Väth e Chris Liebing representam o eixo Frankfurt e techno industrial. Kölsch traz a dimensão melódica. Cassy e Chez Damier conectam com uma tradição mais profunda e espiritual. Traumer é o nome mais recente numa lineup que, por outro lado, pende para artistas com longas relações com Berlim. Vintage Culture alarga o raio geográfico.

O que significa na prática este formato?

O open-air não é o interior. A acústica é diferente, a intimidade é diferente, a relação entre a música e a arquitectura é diferente. O design sonoro do Watergate fazia parte do que ele era; o SAGE é uma tela de forma diferente. A questão não é se os eventos vão ser bons (vão, a lineup garante isso) mas se o nome Watergate mantém o seu significado num formato tão diferente daquele que o construiu.

Para a cena dos clubes interiores berlinenses, o pivô para o open-air é algo a observar. O Watergate fazê-lo não cria uma tendência, mas acrescenta mais um caso de estudo sobre como os clubes adaptam a sua marca quando o modelo interior falha ou termina. Berlim perdeu clubes suficientes nos últimos três anos para que cada pivô importe.