A Akai parou de escrever código para o S900, o S950 e a linha MPC2000 há anos. Dois modders, cada um a trabalhar por conta própria e sem qualquer contacto entre si, acabaram de escrever mais código mesmo assim.
Na mesma semana de setembro, um desenvolvedor conhecido apenas como "Mike Feedback" publicou novas versões do S900FX e S950FX, sistemas operativos personalizados para os samplers de 12 bits originais da Akai de 1986, enquanto Dariusz Chynek, da plataforma de beatmaking vubeatz, lançava mais uma leva de atualizações para o seu mod gratuito das MPC2000 e MPC2000XL de 1997. Ninguém na Akai deu luz verde a nenhum dos dois.
O que os novos sistemas operativos realmente acrescentam?
O S900FX e o S950FX fazem algo que os engenheiros da Akai nunca deram a este hardware: processamento de sinal em tempo real. O áudio agora passa ao vivo pelo conversor A/D de 12 bits original do sampler, com a taxa de amostragem ajustável em tempo real e o filtro anti-alias comutável na hora para aliasing e crunch propositais, tudo sem mexer na RAM limitada do sampler como aconteceria ao gravar um sample. "Desenvolvi um sistema operativo personalizado para os samplers Akai S900 e Akai S950 que os transforma em processadores de sinal em tempo real", explicou Mike Feedback ao anunciar as versões S900FX-2026.09.21a e S950FX-2026.09.21a, ambas lançadas em 24 de setembro de 2026. Versões anteriores já tinham saído em 19 e 22 de setembro, portanto não se trata de um lançamento isolado, mas de um projeto ativo que entrega atualizações quase a cada poucos dias.
O pack de Chynek para a MPC2000/2000XL funciona de outra forma: altera o próprio ficheiro de sistema da máquina num computador antes de o recarregar no hardware. O conjunto de funções atual inclui uma gama de afinação estendida, transposição de programa (deslocar todos os samples de um programa em semitons de uma só vez), 32 grupos de mute atribuíveis, cópia de parâmetros, visualizações por pastas para organizar os bancos de samples, seleção de programa por faixa, algo que a MPC2000 original só permitia globalmente, e recorte de regiões de sample. A versão 1.7, lançada em 24 de setembro, acrescentou um filtro LPF/HPF; a versão 1.8, lançada em 28 de setembro, na mesma semana desta reportagem, acrescentou monitorização Input Thru e um transporte de amostragem.
Porque é que isto está a acontecer agora, num hardware tão antigo?
Porque mais ninguém ia fazê-lo. A Akai descontinuou o S900/S950 há décadas e não mexe no firmware da MPC2000/2000XL desde o início dos anos 2000, mas os produtores continuam a comprar e a guardar ambos os equipamentos por um som que o hardware mais recente não reproduz totalmente: a textura de 12 bits tão característica do S900/S950, o swing tão particular da MPC2000. É exatamente essa distância entre o que o hardware consegue fazer fisicamente e o que a Akai alguma vez se deu ao trabalho de desbloquear em software que estes dois mods preenchem.
"Que lenda! 2 novos OS Akai S900 / S950 disponíveis e ambos são incríveis."
É o produtor Mikus Pilatus a reagir assim ao lançamento do S900FX/S950FX no MATRIXSYNTH. O mesmo instinto que mantém viva há anos a cena de modding comunitário em torno da Elektron: não oficial, fruto de engenharia reversa, tolerada em vez de abençoada.
Quem está mesmo por trás disto?
Um dos dois é anónimo por opção. Mike Feedback é apenas um nome de utilizador do SourceForge, nada mais é público. Chynek, por outro lado, não se esconde: dirige a vubeatz, uma plataforma de beatmaking e um canal do YouTube, e publica o código-fonte do pack da MPC no GitHub com o próprio nome. Visibilidade diferente, mesma lógica: desenvolver de graça, aceitar doações se o público quiser dar, e deixar o hardware fazer o que a Akai nunca chegou a lançar.



