O que o RANDOM8 faz, na verdade?
É um módulo de 8 HP que distribui tensões aleatórias por oito canais independentes, cada um de 0 a 10 V. Nada de exótico no papel, até ler a lista de funções por canal. Cada canal pode repetir em loop uma sequência de 1 a 32 passos, ou evoluir devagar, e um toque duplo devolve-o à aleatoriedade total. Há um quantizador de altura com 16 escalas por canal, incluindo um modo sem quantização e uma escala limpa de 1 V/oitava, para transformar um fluxo aleatório em notas que dá mesmo para usar.
O resto parece um pequeno sistema modular dobrado numa só tira: uma probabilidade que espaça a frequência com que um canal muda, um divisor de clock de 1 a 8 passos, um slide para suavizar as transições rumo a LFO ou linhas acid, um offset que sobe a faixa de tensão para a recortar contra um teto, e oito estilos aleatórios com cinco distribuições mais os modos alternado e errante. Oito posições de presets, um menu de uma só camada e atualizações de firmware por USB-C completam o conjunto.
Porque é que a versão VCV gratuita importa?
Esta é a parte de que toda a gente vai falar. Na mesma semana em que o hardware de 275 euros entrou à venda, a 15 de junho de 2026, a Befaco lançou uma versão gratuita para VCV Rack com, nas suas palavras, todas as funções reproduzidas com exatidão, sob licença GPLv3. O patch que montas no software é o mesmo que montas no rack, sem cortes nem portagens.
Um gémeo de software livre e gratuito de um módulo de 275 euros é precisamente o gesto que o mundo modular recompensa.
É a primeira colaboração entre a Befaco e Mylar Melodies, e surgiu dentro de uma onda maior de lançamentos gratuitos para VCV que a CDM reuniu a 18 de junho, ao lado de curiosidades como um módulo inspirado no Pac-Man e um sintetizador de bombo. O RANDOM8 é o único com irmão em hardware.



