Na noite de segunda-feira, o DC-10 fechou as portas pela temporada. Vinte e cinco segundas-feiras, de 27 de abril a 12 de outubro, e a Circoloco encerrou o ciclo como faz desde 1999: sem fogos de artifício, com um line-up tão denso que quase não cabe num flyer. Dixon, Luciano e Apollonia dividiram o palco com Ricardo Villalobos, Seth Troxler, Gerd Janson e Rampa, os nomes que construíram a reputação dessa residência, ao lado de Anotr, Job Jobse, Chloé Caillet e Desiree, os que estão herdando-a agora. Segundo a Ibiza by Night, a festa começou às 18h e seguiu até de madrugada, como todas as segundas no DC-10.

Por que uma rave de estacionamento ainda vence todos os superclubs da ilha?

O DC-10 fica à sombra do aeroporto, num antigo galpão industrial que começou como um bar de 80 lugares administrado pelos irmãos locais Deogracias e Antonio Lara Moreno. Em 1999, os promotores italianos Antonio Carbonaro e Andrea Pelino se associaram a eles e lançaram a Circoloco como after de segunda, algo para fazer quando o resto da ilha já tinha ido dormir. Vinte e sete anos depois, a casa ainda recebe cerca de 1500 pessoas em três espaços, o Terrace de paredes vermelhas, a Main Room e o jardim a céu aberto, e continua quase sem publicidade. Sem campanhas de outdoor, sem influenciadores convidados, apenas um horário de segunda que esgota temporada após temporada enquanto o resto da ilha multiplica os terraços VIP.

«Um incubador musical incrível que não para de gerar entusiasmo», escreveu a Ibiza by Night sobre esse encerramento de temporada, elogiando o hábito da festa de dar tempo de palco tanto a headliners quanto a DJs ainda emergentes.

Quem está realmente herdando o horário de segunda?

Essa frase resume o que tornou essa última noite mais do que um passeio nostálgico. Villalobos, Troxler, Dixon, Luciano e Apollonia são a geração que transformou a Circoloco numa marca grande o suficiente para lançar um selo com a Rockstar Games e uma linha de tênis com a Adidas. Anotr, Job Jobse, Chloé Caillet e BASHKKA são a geração escalada para impedir que uma festa de 27 anos se fossilize num número de museu. A Circoloco sempre cultivou essa mistura de propósito: a festa tem o hábito de dar tempo de palco a DJs no início de carreira e a mulheres, que têm menos espaço no resto da ilha. O encerramento colocou os dois lados no mesmo cartaz, o que é o mais próximo que essa residência já teve de um plano de sucessão.

Por que isso importa

O DC-10 prova que uma festa underground, quase sem marketing, ainda consegue encher mais que salas com mesas e serviço de garrafa, numa Ibiza cada vez mais construída em torno desse modelo. Um promotor não precisa do orçamento de um superclub para importar, precisa de 27 anos sem cortar a música para manter a casa cheia.

O que pensamos

O DC-10 continua sendo a única casa de Ibiza onde ainda se pode ficar ombro a ombro com um headliner sem saber disso antes do set começar. Isso vale mais para essa cena do que qualquer telão de LED, e a mistura de residentes veteranos e nomes novos no encerramento mostra que quem herdar essa festa sabe exatamente o que destruiria se a mudasse.