Eric Prydz escolheu um momento estranho para olhar para frente. No dia 1º de setembro, o produtor sueco deixou um comentário em uma publicação de aniversário de Mark Gillespie, fundador e CEO da Three Six Zero: «Uau. Não sabia. Feliz aniversário! Meu novo EMPRESÁRIO!! Vou me sair melhor no ano que vem.» Essa frase confirmou o que os observadores do setor ainda não tinham percebido: Eric Prydz mudou de management para a mesma agência que construiu as carreiras de turnê de Calvin Harris, Tiësto e Swedish House Mafia.
No papel, é uma mudança rotineira, um produtor veterano entrando em um roster maior com mais peso em Hollywood. Mas o momento coincide com uma história bem mais turva, que nada tem a ver com música e tudo a ver com dinheiro.
No que consiste realmente o processo de Prydz?
Menos de um ano antes do anúncio da Three Six Zero, Prydz entrou com um processo em um tribunal estadual da Califórnia, em 28 de outubro de 2025 segundo a Music Business Worldwide, contra Thomas St. John, o gestor financeiro que cuidava de seus impostos, registros e das finanças de suas turnês desde cerca de 2012. O processo pede 269 mil dólares em danos mais custos punitivos, baseado em três acusações específicas: 219 mil dólares pagos por serviços que Prydz diz nunca ter autorizado após uma renovação de contrato em 2023, uma exigência de 150 mil dólares por trabalho «não aprovado, fora do escopo» que St. John teria imposto antes de aceitar entregar os documentos fiscais atrasados de Prydz, e um saque de 50 mil dólares que, segundo Prydz, ocorreu sem autorização após a rescisão do contrato.
A linguagem do processo é direta. «Na verdade ele é um fraudador que não apenas abusa da confiança de seus clientes, como também tira dinheiro deles sem conhecimento ou autorização, para uso e benefício próprio», diz o processo segundo a Music Business Worldwide.
«Ele é um fraudador que não apenas abusa da confiança de seus clientes, como também tira dinheiro deles sem conhecimento ou autorização, para uso e benefício próprio.»
Por que a ligação com Calvin Harris importa?
Porque Prydz não é o único artista a acusar Thomas St. John da mesma coisa, embora em uma escala bem diferente. Calvin Harris entrou por conta própria com um pedido de arbitragem contra St. John, alegando ter perdido 22,5 milhões de dólares no CMNTY Culture, um projeto imobiliário em Hollywood no qual St. John o teria empurrado a investir. Harris diz ter colocado 12,5 milhões de dólares e emprestado outros 10 milhões, sem qualquer retorno desde 2023. St. John nega qualquer irregularidade em ambos os casos, afirmando que nenhum dólar foi desviado.
Dois dos maiores nomes da música dance, geridos pelo mesmo gestor financeiro de Hollywood, ambos acusando, de forma independente, o uso do dinheiro deles sem autorização. Isso não é uma coincidência que a cena possa ignorar: é exatamente o tipo de história que faz artistas e suas equipes se perguntarem quem realmente supervisiona as operações em seu nome, e com que rigor.
O que isso significa para o resto da indústria?
Gestores financeiros trabalham discretamente por trás de quase todos os grandes artistas em turnê, cuidando do dinheiro que ninguém vê nas redes sociais. Quando dois clientes do mesmo gestor o acusam, de forma independente, de retirar fundos sem autorização, é um sinal para qualquer artista que delega a assinatura de seus cheques: é preciso fazer perguntas mais duras sobre controle, não confiar apenas em uma relação antiga.



