O que realmente forçou o fechamento da kwia?

Aluguel. Nada mais exótico do que isso. A kwia abriu na Maybachufer, em Neukölln, em 2021, como um bar de escuta sem sapatos construído em torno da tradição japonesa dos jazz kissa: salas aconchegantes com sistemas de som sérios, onde as pessoas iam especificamente para sentar e ouvir, em vez de conversar por cima da música. Em agosto de 2025, os operadores alertaram que o aumento do aluguel tinha tornado impossível manter o espaço funcionando sem trair seus valores e sem deixar de manter a entrada acessível. Quase um ano depois, esse alerta virou uma data definitiva: 25 de julho de 2026 é a última noite da kwia na Maybachufer.

Por que um bar sem pista de dança importava para a cena de clubes de Berlim?

Porque provou que o underground da cidade não precisava de um sistema de som empurrando 130 decibéis para ser radical. A kwia importou a cultura japonesa de escuta musical ambiente para um espaço explicitamente queer e construiu, ao longo de cinco anos, uma programação ambiente, próxima do dub techno e experimental, recebendo nomes como CCL, Oli XL, aya, Himera, Buttechno e Jensen Interceptor. A casa ajudou a popularizar o formato mais amplo de bar de escuta que hoje se espalha por Berlim e além, prova de que uma sala construída para a atenção, e não para a fuga, ainda podia ter peso numa cidade definida pelas suas boates.

Essa é a mesma história de todo outro fechamento em Berlim?

Sim, e é exatamente esse o ponto. O aumento dos aluguéis comerciais vem espremendo os espaços independentes da vida noturna de Berlim há anos, expulsando casas que não conseguem cobrir o novo valor pedido pelo proprietário, não importa o quão cheias estejam numa noite qualquer. A kwia não estava com falta de público. Ela estava com dificuldades porque o terreno debaixo dela ficou mais caro do que um bar de escuta com preços acessíveis consegue sustentar. Esse é um tipo de fracasso diferente de um clube que perde a licença ou vê seus investidores recuarem, e é, sem dúvida, mais difícil de resolver, porque não há escândalo nenhum para apontar, só a renovação de um contrato de aluguel que ninguém conseguia pagar.

O que acontece com a kwia agora?

A equipe diz que está buscando ativamente um novo endereço em Berlim, e não está saindo de mãos vazias: a kwia lançou sua primeira coletânea, kwia001, como uma homenagem à sua passagem pela Maybachufer 16 e ao lançamento de seu próprio selo. Os últimos 22 dias de programação, que vão até 25 de julho, trazem sets de Mu Tate, Swan Palace, Fu Chen, Muimui e Ligeia, e os operadores pediram à comunidade que dê à casa a despedida que ela merece.

"Mais do que uma casa, a kwia se tornou um experimento contínuo sobre como nos conectamos uns com os outros."