Spotify e Merlin anunciaram em 4 de agosto de 2026 um acordo de licenciamento que abre pela primeira vez covers e remixes com IA para a música independente. A Merlin é o organismo que negocia acordos digitais em nome de mais de 30.000 selos independentes presentes em mais de 70 países, que juntos representam cerca de 15% da música gravada no mundo. Até agora, só o catálogo da Universal Music Group, licenciado ao Spotify desde maio de 2026, podia alimentar legalmente a ferramenta de remix da plataforma.

O que o acordo entre Spotify e Merlin prevê de fato?

O acordo permite que fãs criem covers e remixes com IA de faixas de artistas de selos membros da Merlin que optem por participar, tudo isso oferecido como um complemento pago do Spotify, e não integrado aos royalties de streaming já existentes. Charlie Hellman, SVP e chefe global de música do Spotify, disse que o acordo "garante que os artistas participantes sejam creditados e remunerados, e que cada criação leve os ouvintes de volta à obra original". Charlie Lexton, CEO da Merlin, descreveu isso como dar aos artistas dos selos membros "a opção de disponibilizar sua música dentro dessa tecnologia empolgante, garantindo ao mesmo tempo a oportunidade de participar de uma fonte de receita adicional". A participação é decidida artista por artista, e cada criação com IA carrega um crédito que remete à gravação original.

Por que isso importa para os selos independentes de house e techno?

Grande parte do catálogo underground de house e techno passa por distribuidoras afiliadas à Merlin, exatamente o grupo agora coberto por esse acordo. Antes disso, remixes com IA não oficiais de faixas underground já circulavam no YouTube e no TikTok, sem crédito nem pagamento algum para o selo ou o artista. Esse acordo abre o primeiro canal formal em que essa mesma vontade de remixes de fãs vira uma transação licenciada, paga e creditada, em vez de um bootleg sem controle. Para uma cena construída sobre white labels, edits e remixes não oficiais como cultura própria, essa é uma mudança real em como essas obras derivadas passam a ser valorizadas.

No que os selos independentes devem ficar atentos?

O caráter opcional do acordo significa que nenhum selo é obrigado a entrar, mas também significa que o selo, ou o próprio artista, dependendo dos termos do contrato entre eles, precisa decidir ativamente se o remix com IA de um catálogo específico vale o risco de diluir uma mixagem original, especialmente quando todo o seu valor está num groove ou arranjo muito específico. Nem Spotify nem Merlin divulgaram a divisão real da receita nem como a remuneração é calculada, então os selos que estão avaliando o acordo precisam dizer sim antes mesmo de conhecer esses detalhes.

"Este acordo com a Merlin garante que os artistas participantes sejam creditados e remunerados, e que cada criação leve os ouvintes de volta à obra original.", Charlie Hellman, SVP e chefe global de música do Spotify