O que Steve Duda realmente construiu?
Steve Duda, o fundador da Xfer Records cujo sintetizador Serum toca em metade dos templates de house, techno e bass por aí, portou o Pink Trombone, o brinquedo de navegador que o programador Neil Thapen construiu em 2017, para um plugin autônomo VST3/AU para macOS (Apple Silicon e Intel), Windows e Linux. É gratuito, e vem em duas versões: um instrumento que se toca como qualquer sintetizador, e um processador de FX que passa áudio externo pelo mesmo modelo de trato vocal. Além dos controles originais de cavidade oral e nasal do brinquedo, Duda acrescentou seções Voice, Tract e Play, quatro envelopes AHDSR e quatro LFOs multiforma, exatamente o nível de modulação que qualquer um esperaria de um plugin da Xfer.
Por que um brinquedo de navegador importa para quem usa Serum?
Durante a maior parte da última década, o Pink Trombone foi puro folclore de internet: um corte transversal em desenho animado de uma boca e uma garganta que você arrastava com o cursor até ele grunhir, gemer ou tentar formar uma palavra. Mas também levou, discretamente, uma segunda vida entre sound designers e gente do universo modular, que encontraram em seu pulso glotal cru e seus deslocamentos de formantes algo útil além da piada: síntese de verdade. A modelagem física do trato vocal produz texturas que nenhum motor subtrativo ou wavetable alcança sozinho, e Thapen nunca o empacotou como instrumento. Alguém ter precisado fazer o trabalho de encanamento para colocá-lo dentro de uma DAW, e esse alguém ser justamente o cara cujo próprio plugin já mora em metade dos templates da cena, é a real novidade aqui. Um brinquedo de nicho normalmente não chama a atenção de um desenvolvedor a sério; este chamou a da Xfer.
Um modelo de boca tratado como equipamento de verdade, porque o cara que constrói equipamento de verdade decidiu que merecia.
O que dá pra fazer com ele, na prática?
Como instrumento, o trato vocal vira uma fonte melódica e de pads francamente estranha, mais próxima do humano do que qualquer preset wavetable de 'morph de vogais', mas desafinada e instável de um jeito que soa vivo em vez de amostrado. Como FX, dá pra passar uma linha de baixo, um corte vocal ou um bus de bateria pelo mesmo modelo e tirar uma coloração de formantes que nenhum EQ ou vocoder imita de forma convincente. Como é gratuito e multiplataforma, não tem motivo pra um produtor curioso não carregar isso essa semana e ver no que dá.



