Entre na maioria das casas de 1.000 lugares fora das capitais habituais da música eletrônica e o sistema de som conta a história do orçamento antes mesmo de o primeiro DJ tocar num fader. O Ultra Super Club, que abriu em dezembro de 2025 na orla de Tanjung Bunga em Makassar, decidiu não jogar pelo mais barato. Segundo a E-Tech Asia, a casa instalou um sistema L-Acoustics série A completo, o tipo de equipamento mais associado a grandes clubes e produções em turnê na Europa ou América do Norte do que a uma nova abertura no sul de Sulawesi.
O que há realmente no sistema, e o que isso muda na pista?
O sistema principal é composto por duas fileiras de quatro caixas A15i cada, e cada fileira combina três caixas Focus e uma Wide. Em termos simples: as Focus projetam o som mais longe e de forma mais concentrada pela sala, enquanto as Wide ampliam a cobertura até os cantos, e misturar as duas numa mesma fileira permite cobrir uma sala comprida sem que o som enfraqueça nas bordas nem esmague quem está na frente. Três controladores amplificados LA4X alimentam o conjunto, a parte da cadeia que realmente molda a precisão e o controle dos médios-graves, não apenas o volume.
Embaixo, oito subwoofers L-Acoustics KS28 cuidam dos graves. É uma quantidade séria de subs para uma sala de 1.000 lugares, típica de um sistema pensado para fazer bumbo e graves se sentirem fisicamente, não apenas serem ouvidos. Caixas X12 e X8 completam os reforços laterais e o front-fill, garantindo que o público posicionado nas laterais ou bem na frente do palco ouça uma mixagem completa em vez de uma bagunça de reflexões.
Por que foi preciso uma modelagem por computador para resolver o teto?
Segundo a E-Tech Asia, o integrador Thomas Rulyanto, junto com a PT Gracia Auvindo, parceira indonésia da L-Acoustics, teve que fazer uma modelagem acústica extensa com o software Soundvision para lidar com a estrutura do teto do Ultra Super Club. O Soundvision é a ferramenta de previsão própria da L-Acoustics: permite a um integrador simular como o som vai se comportar numa sala específica antes mesmo de pendurar a primeira caixa, o que importa muito quando o formato de um teto ameaça criar reflexões, zonas mortas ou acúmulos incômodos em certas frequências. Um sistema tão potente só vale o quanto vale a sala para a qual foi calibrado, e um teto problemático pode transformar um equipamento caro num desastre sonoro se não for modelado e direcionado corretamente antes.
A diligência da direção confirma o quanto isso foi deliberado: segundo consta, visitaram o NOYA X 80 PROOF em Jacarta, equipado com um sistema L-Acoustics K2, antes de decidirem pela série A para a própria sala.
Um sistema assim, num mercado onde os clubes costumam esticar um orçamento modesto por toda a obra, é uma declaração sobre para onde vai o dinheiro hoje.
Por que isso importa além de Makassar?
É um indício de uma mudança maior: a infraestrutura de áudio de altíssimo nível já não está reservada a um punhado de cidades que dominam o imaginário das turnês. Quando uma casa nova do leste da Indonésia se compara às melhores de Jacarta e depois instala um sistema à altura do que um grande clube europeu ou americano montaria, isso muda os cálculos para os DJs em turnê, e para uma cena que presumia que a conversa sobre equipamento só acontecia em Berlim, Londres ou Ibiza.
Por que isso importa
Cada instalação de série A ou K fora dos polos ocidentais habituais facilita para os programadores da região reservar nomes internacionais maiores com o argumento crível de que o som vai aguentar, deslocando assim datas e orçamentos sérios de turnê.
O que achamos
Essa é exatamente a história que os apaixonados por som querem e que a indústria em geral costuma ignorar: não mais um anúncio de lineup, mas a prova de que a infraestrutura por trás das grandes noites está se espalhando rápido por mercados que a velha guarda ainda subestima. A cena de clubbing indonésia merece mais atenção, justamente por isso.



