Por que um EP de amapiano nascido no Botsuana importa além do Botsuana?
A história do amapiano é quase sempre contada a partir de Joanesburgo e Pretória, com Kabza De Small, DJ Maphorisa e os estúdios que forjaram o som do «log drum». Way Kay, nome verdadeiro Mbaki Mohako, nascido em Francistown, Botsuana, é um dos sinais mais claros de que essa história já ultrapassou fronteiras. Em 9 de outubro de 2026, ele lançou «Woza Way Kay», um EP de seis faixas que mistura amapiano, afro house, 3step e produção africana moderna, feito para circular do clube às redes, segundo a Mmegi Online.
Não é um gesto isolado de marketing. O seu álbum de debute, «Sa Bosigo» (2022), conquistou disco de ouro no Botsuana antes dos seus 21 anos, além do apoio de DJ Maphorisa, Mellow & Sleazy e DJ Cleo, três nomes que pesam muito na validação do amapiano, mais quatro nomeações aos YAMA Awards, segundo a theYanos. A sua colaboração «Amadamara», uma versão amapiano do tema original de Freddie Gwala, tornou-se viral no TikTok, somando milhões de visualizações, segundo a mesma fonte.
Quem está realmente neste disco?
«Woza Way Kay» não é um projeto a solo, é uma lista de convidados transfronteiriça. Justin 99 e Omit ST, dois produtores centrais na atual onda de amapiano e afro house sul-africana, aparecem ao lado de ShaunStylist, Galectik e Sandza de Keyz. Reunir nomes deste calibre num projeto liderado a partir do Botsuana, algo que antes seria arquivado como «regional», diz muito sobre onde está hoje o poder de validação dentro do amapiano: menos numa única capital, mais em quem consegue alinhar as assinaturas certas nos créditos.
O projeto reúne Justin 99, ShaunStylist, Omit ST, Galectik e Sandza de Keyz, posicionando Woza Way Kay como um lançamento pensado para circular do clube ao feed, e tudo o que há pelo meio.
É um caso isolado ou uma tendência?
Tudo indica uma tendência. O amapiano já tinha entrado nos clubes do Essuatíni, Zimbabwe e Zâmbia há anos, através de sets de DJ e remixes não oficiais. A novidade aqui é que um produtor nascido em Francistown consegue créditos ao lado dos nomes sul-africanos que construíram o som, em vez de apenas tocar as faixas deles. Esse é o verdadeiro teste para a expansão de qualquer género: não apenas se se dança com ele noutros lugares, mas se quem o produz noutros lugares acaba creditado no disco.



