O que está mesmo a acontecer entre Seul e Tóquio?
Duas cenas de clube que outrora olhavam para Londres, Berlim e Nova Iorque à procura dos seus cabeças de cartaz olham cada vez mais uma para a outra, segundo um artigo da Mixmag Asia. As crews coreanas e japonesas trocam os seus rosters. O Cakeshop, o veterano clube de Itaewon em Seul, montou um pop-up no Circus de Shibuya. O Bolero de Seul e o Music Bar Lion de Tóquio já trocaram equipas mais do que uma vez. Não é turismo pontual: o DJ coreano KOLLIN, gerido pela CANTEEN, já toca em Tóquio com regularidade, e o DJ japonês ryota tem uma residência em Seul.
Porquê agora? Siga o dinheiro.
Porque as contas viraram. Um iene fraco e custos a subir tornaram penoso o velho modelo, trazer de avião um nome europeu ou americano de gama média. Só o cachê desse artista passa dos 2000 dólares antes do primeiro voo. Contratar um artista japonês na Coreia, com cachê, voos, hotel, transporte e refeições incluídos, fica mais perto de 1000 dólares, e um bilhete Seul-Tóquio anda à volta de 300. Com clubes coreanos de 200 a 400 lugares e promotores a ficar com 10 a 20 por cento da noite, são esses números que decidem o cartaz.
«O iene fraco é mesmo duro. Honestamente, dá-me vontade de chorar.» Keenote, Bolero
É uma cena a sério ou uma tática de sobrevivência?
As duas coisas, e é aí que fica interessante. O dinheiro deu o pontapé de saída, mas os bookers descrevem algo mais caloroso do que uma transação. Shintaro Yonezawa, da CANTEEN, traça o contraste sem rodeios: a relação com a Europa ou a América do Norte tende a ser transacional, andas em digressão, tocas, vais-te embora. A que se constrói dentro da Ásia é relacional, trocas de crews que voltam e artistas que voltam. Mari, que programa o Circus, conta que sempre que tocam artistas coreanos, brindar com habu-shu se tornou quase uma tradição. Não é assim que se parece uma contratação de uma só vez.



