Londres não tem escassez de festivais que colam o rótulo "queer-friendly" num cartaz e chamam isso de programação. Em 30 de agosto, Southwark Park faz algo estruturalmente diferente: o Body Movements entrega seus cinco palcos aos coletivos que mantêm viva a vida noturna queer da cidade nos outros 364 dias do ano, em vez de montar um único line-up de cima para baixo.
O que torna essa programação realmente diferente?
A maioria dos festivais contrata artistas, imprime um cartaz e pronto. O Body Movements, em vez disso, se associa a 16 coletivos queer e trans, entre eles Dalston Superstore, DAYTIMERS, 2CPERREA e Little Gay Brother, e deixa que cada um cure seu próprio pedaço do dia em cinco palcos com os nomes característicos e diretos do festival: Mother, The Strap, Snatch, Hot Mess e Glory Hole. Isso não é cosmético. A política de entrada, o som, o público e a energia de cada palco mudam conforme o crew que o comanda, mais parecido com uma vitrine rotativa do ecossistema festivo real de Londres do que com um line-up único e curado.
Quem realmente toca em 30 de agosto?
O line-up passa dos 40 artistas e atravessa house, techno e ballroom sem se prender a um único estilo. A dupla de destaque no lado underground é Eris Drew b2b Octo Octa, dois dos nomes mais respeitados do som house cru e com influência de breakbeat que dá a esta edição sua espinha dorsal organic house. O restante do line-up traz Romy, MCR-T, Saoirse b2b Shanti Celeste, Sedef Adası e Six Sex, além de Amaliah e BASHKKA. Jay Jay Revlon comanda uma masterclass de vogue no local, trazendo o ballroom, uma cena com a qual a house underground tem uma dívida enorme e frequentemente pouco reconhecida, direto para o centro da programação em vez de tratá-lo como atração secundária.
O Body Movements se apresenta como o primeiro festival eletrônico queer e trans do Reino Unido, e é o modelo de coletivos que sustenta essa afirmação além do slogan de marketing.
De onde veio o Body Movements?
O festival foi fundado em 2021 pela DJ e chefe do selo trUst Saoirse, por Clayton Wright do Little Gay Brother e pelo promotor Simon Denby, aparentemente nascido da frustração com o quão pouco o talento queer londrino aparecia nas grandes programações da cidade. Começou como uma festa multi-local espalhada por cerca de 15 espaços em Hackney Wick, antes de virar um festival de local único em Southwark Park. A estrutura centrada nos coletivos sobreviveu a esse crescimento: em vez de um festival que ocasionalmente recebe o takeover de um coletivo queer, são os coletivos que são o festival.



