A Gucci normalmente não contrata produtores de techno industrial para animar suas próprias festas. Mas foi exatamente isso que aconteceu com BrokinPaper, o produtor originário do Queens cujo som sombrio, marcado pelo EBM, acaba de colocá-lo no mundo da moda de luxo, duas vezes em duas semanas.
O que a Gucci realmente fez?
Não foi apenas uma menção nas redes sociais. A Gucci trouxe BrokinPaper (nome real Harrison Lee) a Berlim em maio de 2026 para tocar no after do desfile Cruise 2027, realizado logo após a apresentação da coleção pelo diretor criativo Demna. A grife tinha preparado um look Gucci completo no quarto de hotel dele. Durante seu set, o rosto dele foi projetado nas telas gigantes da cidade. Duas semanas depois, a Gucci o chamou de novo, desta vez para um segundo evento em Times Square, a poucas quadras de onde ele cresceu.
«Ter nascido e crescido em Nova York, e viver algo assim, foi uma loucura», contou Lee à Billboard. A passagem por Berlim, segundo ele, mudou tudo: «Me deu muita visibilidade e me associou à alta moda, porque logo depois a Gucci voltou a me procurar com novas propostas». Timbaland, por sua vez, manifestou publicamente seu apoio à música dele, um respaldo vindo de um universo completamente diferente que acompanhou sua cobertura na imprensa dance neste ano.
Do que é feito «Function Over Form»?
Lançado em 9 de setembro de 2026 no Bandcamp e nas plataformas de streaming, «Function Over Form» é o terceiro álbum de estúdio de BrokinPaper, o primeiro pensado explicitamente para funcionar em uma sessão ao vivo, e não apenas na escuta em casa. As sete faixas incluem «Damage», a primeira música de BrokinPaper a entrar nas playlists editoriais oficiais do Spotify e do YouTube Music, além de «Malice», «SUBVERSIVE», «EXHAUST», «Berlin», «Desolation» com Limbo Slice, e um remix de seu single anterior «Antidote» feito com o produtor bielorrusso Jenasi.
«Antes, planejar meus sets me estressava muito», confessa Lee sobre seu material anterior, que não funcionava bem ao vivo. «Function Over Form» corrige isso: faixas pensadas desde o início para se integrar a uma sessão em vez de resistir a ela. Trabalhar com Jenasi, diz ele, confirmou a direção que quer seguir: «mais pesada, mais sombria».
Por que a Mixmag Asia o agrupa com três produtores asiáticos?
A reportagem da Mixmag Asia sobre artistas emergentes de setembro de 2026 colocou BrokinPaper ao lado de Moni-Moni, DJ baseado em Cebu e fundador da plataforma Cradio Radio; Sanjonas, produtor de Yogyakarta cujo LP desconstruído «Ngelmu Tirakat» sai em 15 de outubro pela RAMPAK G; e Siiry, artista de Hyderabad que funde música clássica indiana com produção eletrônica. Os quatro não têm muito em comum musicalmente, além de terem sido apontados como a próxima onda, prova de que o radar editorial da música eletrônica underground cobre hoje tanto os galpões do Queens quanto os coletivos de Yogyakarta.
«Percebi que, se eu não curto, por que o público curtiria?»
Já está prevista uma obra irmã, «Form Over Function», como contraponto mais melódico deste álbum.



