Qual a real dimensão da queda?

Em 2015, os burners na casa dos vinte anos representavam 29,6% do público do Burning Man. No censo de 2025, esse número caiu para 10%, uma mínima histórica, e pela primeira vez os quarentões e cinquentões superam em número os vinte e poucos anos que antes definiam a cultura do evento. A idade média na playa já é de 35 anos, longe da imagem de um rito de passagem jovem.

Quem acampava uma semana para ver o nascer do sol com Robot Heart ou dançar em frente ao art car do Mayan Warrior está envelhecendo, e ninguém da mesma geração está realmente tomando esse lugar. A faixa mais ampla dos menores de 30 anos caiu de 34,2% em 2013 para 20% em 2019, uma diferença que só cresceu depois da pandemia.

Por que os jovens não estão aparecendo?

Principalmente por dinheiro. O ingresso principal subiu de 390 dólares em 2015 para 550 dólares em 2026; com o passe de veículo obrigatório de 165 dólares, quem dirige sozinho ultrapassa 700 dólares antes de comida, água, equipamento ou a viagem até o deserto de Nevada. No censo de 2025, mais de um quarto dos respondentes citou o custo como o principal motivo para não ir, à frente de qualquer outro obstáculo da lista. Dezesseis por cento mencionaram não conseguir folga do trabalho ou da escola, e cerca de 10% apontaram o desgaste físico de sobreviver uma semana fora da rede.

O momento não é coincidência. Bate exatamente com as finanças combalidas do Burning Man Project: a organização sem fins lucrativos perdeu 265 dólares em cada ingresso principal vendido em 2024, um déficit líquido de 10,7 milhões de dólares, e os ingressos não esgotaram pela primeira vez em 13 anos.

«O Burning Man perdeu sua alma anarquista», escreveu o cofundador John Law, chamando o evento atual de «válvula de escape comercializada» para quem tem como pagar.

O que isso significa para os sound camps da playa?

Os sound camps são o motivo pelo qual a cena house e techno presta atenção ao Burning Man: eles transformaram o fundo da playa em um dos maiores palcos não oficiais da música eletrônica, onde DJs tocam sets maratona ao amanhecer para dezenas de milhares de pessoas sem custo extra. Esse modelo depende de um fluxo constante de voluntários jovens dispostos a montar e operar um sistema de som sob 40 graus, sem receber nada por isso. Uma cultura de acampamento que envelhece para os 40 e 50 anos significa menos mãos para esse trabalho e um público menor descobrindo a música pela primeira vez.

O Burning Man não está desmoronando de vez. A edição de 40 anos reuniu cerca de 70 mil pessoas neste ano, abaixo do pico de 78.850 em 2019, mas ainda uma multidão real. A história está em quem falta.

A NBC News também repercutiu a história, compartilhando no Instagram sua própria visão sobre a mudança: