Ela Minus e Nick León rondavam um ao outro havia um tempo. Ela apareceu no disco dele, ele remixou uma faixa dela. O que não tinham feito ainda era sentar juntos e construir algo do zero. "qué les pasó a mis amigos?", disponível agora pela Smugglers Way, é exatamente isso: três faixas, uma linguagem em comum, e um título que dispensa tradução.

Como o disco soa de verdade?

Isso não é o club de Miami de León com uma voz convidada em cima, nem um disco solo de Minus com bateria melhor. O EP se instala num registro mais frio e minimalista do que o habitual para os dois: a programação club de León puxada para algo enxuto e noturno, a eletrônica punk de Minus despida de boa parte da agressividade, com os nervos à flor da pele. O single "espiral" é onde esse encontro fica mais claro, hipnótico e picotado ao mesmo tempo, a voz dela transitando entre vulnerabilidade e algo parecido com um aviso.

As letras não enrolam. Desilusão amorosa, decepção, aquele cansaço bem específico de fazer arte para sobreviver, e a deriva mais lenta de perder gente próxima: é um disco de fim de relação em que a relação que termina não é romântica, é com uma versão da própria vida. "Foi tão livre", conta León sobre as sessões. "Havia entendimentos tácitos sobre o que a gente queria fazer. Isso não é normal."

Por que um encontro na Cidade do México e um fechamento em Los Angeles?

A origem do projeto é incomumente precisa para um EP nas bordas da música de club: os dois se conheceram na Cidade do México em 2024, trocaram ideias ali, e terminaram o disco juntos em Los Angeles. Esse vaivém aparece na sequência, três faixas que soam trabalhadas lado a lado, não montadas à distância. Patrick Holland na mixagem, Heba Kadry na masterização, dois nomes que aparecem em discos que priorizam textura acima de volume.

O que vem depois do lançamento digital?

A Smugglers Way faz o lançamento digital ser seguido por um vinil de 12" limitado a 500 cópias em 20 de novembro de 2026, e não é uma simples repressagem. As três faixas originais ganham remixes: Loidis cuida da faixa-título, Guedra Guedra retrabalha "lose my cool", e Brenda assume "espiral", transformando um EP compacto de três faixas num objeto de seis músicas com a marca de outros três produtores.

"Havia entendimentos tácitos sobre o que a gente queria fazer. Isso não é normal."

Para dois artistas que preferem ser ouvidos a serem explicados, essa frase é o mais perto de uma declaração de intenções que vão dar.