Dez semanas. Foi o tempo que a empresa que prometia continuidade levou para esvaziar o departamento com quem os seus próprios clientes falam quando algo falha.

A inMusic fechou a aquisição da Native Instruments a 8 de maio de 2026, somando a fabricante berlinense de software e hardware a um portefólio que já inclui a Akai Professional e a Moog. Em meados de julho, relatos internos revelados primeiro pela Synth Anatomy apontam para cerca de 100 postos cortados em quase todos os departamentos da NI, com um pormenor que se destaca dos restantes: toda a equipa de apoio ao cliente desapareceu.

O que aconteceu realmente na Native Instruments?

Segundo um ex-funcionário que falou com a Synth Anatomy, os cortes não se limitaram a um único departamento. "Aconteceu em quase todos os departamentos", afirmou, estimando cerca de 100 pessoas afetadas e avisando que "vai continuar a acontecer". O mesmo relato é explícito sobre quem estruturou a decisão: "Foi a inMusic que organizou isto, como parte da compra."

"Fiquei a saber que toda a equipa de apoio ao cliente foi despedida. Foi a inMusic que organizou isto, como parte da compra."

As equipas de desenvolvimento e hardware terão sido colocadas em licença remunerada até setembro, com alguns desses cargos a poderem ser absorvidos por outras marcas da inMusic em vez de mantidos como funções dedicadas à NI. Um segundo relato, o de um produtor de música eletrónica que publica sob o nome "Unders", corrobora cortes semelhantes em desenvolvimento, hardware e apoio ao cliente. Nem a inMusic nem a Native Instruments emitiram qualquer declaração oficial que confirme números, calendário ou próximos passos, segundo a Synth Anatomy e a groove.de, que noticiou separadamente os despedimentos a 20 de julho.

Por que dói tanto o momento em que isto acontece?

A Native Instruments não chegou a este negócio numa posição de força. A empresa tinha pedido insolvência preliminar na Alemanha já em março de 2026, processo que a colocou numa via formal de fusão e aquisição e terminou dois meses depois com a inMusic a assumir o controlo. O resto do império de software da NI foi repartido na mesma altura: a iZotope passou para a Boris FX, enquanto a Plugin Alliance e a marca irmã Brainworx foram revendidas ao fundador Dirk Ulrich, saindo por completo da estrutura.

O que ficou dentro das paredes da inMusic foi o núcleo da marca NI: Kontakt, Traktor, Maschine e Komplete. E o que foi cortado primeiro, segundo estes relatos, foi a equipa que responde quando um desses produtos falha.

O que muda para quem usa Kontakt, Maschine ou Komplete?

Para os produtores que pagam a licença Komplete todos os anos, usam bibliotecas Kontakt contra o relógio ou tocam ao vivo com hardware Maschine, isto não é uma reorganização corporativa abstrata. É o balcão para onde se escreve quando uma autorização falha ou um plugin não carrega, e segundo estes relatos esse balcão, tal como a NI o tinha montado, já não existe da mesma forma. A inMusic não explicou publicamente como, ou se, o suporte será reconstruído dentro da sua própria operação de apoio ao cliente centralizada, e esse silêncio, dez semanas depois de fechar uma compra desta dimensão, é em si mesmo parte da notícia.

A Native Instruments já viveu uma versão disto antes: uma reestruturação em 2019 também cortou cerca de 100 postos, na altura sob a sua anterior proprietária e com um comunicado oficial associado. O que muda em 2026 é a fonte. Desta vez, o único relato existente é o testemunho de trabalhadores, veiculado pela imprensa especializada, sobre uma empresa que agora responde perante outra pessoa.