Quem foi Mickey Mann?
Os nomes numa capa nunca contam a história toda. Por trás dos artistas que definiram a dance britânica dos anos 1990 havia um pequeno círculo de técnicos que faziam os shows funcionarem de verdade, e os Orbital tinham um dos melhores. Mickey Mann, um aberdoniano que morreu num hospital de Londres em 9 de junho, aos 65 anos, passou trinta anos na mesa de som para alguns dos grupos eletrônicos mais importantes que este país produziu. Era o homem que você não via, na mesa de PA, transformando uma parede de máquinas num som capaz de encher um descampado.
Sua entrada no ofício foi puro acaso. Aos 16 aceitou um emprego no hospital Royal Cornhill, em Aberdeen, e se aproximou de dois enfermeiros de psiquiatria, Colin Angus e Will Sinnott. Quando a dupla fundou os The Shamen em 1985, o levou junto, primeiro como roadie e empresário, logo como aquilo que todo o entorno da banda chamava de terceiro membro. Ele esteve lá na ascensão que transformou um grupo psicodélico escocês num ato rave no topo das paradas.
O que ele deu aos Orbital?
Foi Mann quem colocou os Orbital, ainda desconhecidos, abrindo para os The Shamen, e o laço nunca mais se desfez. Nas duas décadas seguintes, comandou o som ao vivo dos Orbital, terceiro Hartnoll não oficial, em quem Phil e Paul confiavam para traduzir a improvisação em tempo real em algo que a plateia pudesse sentir. Foi além da mesa: é creditado com produção adicional em «Halcyon + On + On», a faixa de 1993 que continua sendo o momento mais querido da banda.
Alguns o tinham como o terceiro melhor técnico de som do mundo. Quem trabalhou com ele não discutia.
Essa reputação viajou. Seu currículo de turnês passa por Aphex Twin, Basement Jaxx, Moby, Meat Beat Manifesto, System 7, Curve e Ultramarine, com desvios pela estrada ao lado do Nirvana por seis meses e de Kylie, e uma passagem pelo Top of the Pops. Também liderava o próprio projeto, Pressure of Speech, uma veia mais sombria de música eletrônica que John Peel defendia em seu programa.
Por que a morte de um técnico de som importa para a cena?
Porque a cena não existe sem gente como ele. House e techno são música ao vivo tanto quanto discos, e a diferença entre uma noite de graça e um som embolado costuma depender de uma pessoa, numa mesa, cujo nome ninguém na plateia conhece. Mann foi essa pessoa para uma geração inteira da eletrônica britânica, e as homenagens que chegaram após sua morte, lideradas pela irmã Jane, vinham dos artistas que sabiam exatamente quanto da própria magia passava por suas mãos. Uma vaquinha aberta por Sophie Slade reúne 10 mil libras para que a família possa levá-lo de volta a Aberdeen e se despedir como ele merece.



