O que é, afinal, um listening bar?

Um listening bar é uma sala construída em torno do som e não do balcão. O formato remonta aos kissa de jazz do Japão do pós-guerra, cafés onde as pessoas iam para se sentar, beber e ouvir discos num equipamento hi-fi exigente, num silêncio quase total. A versão moderna junta um sistema de alta fidelidade a uma seleção cuidada de vinis e a um design pensado, e a regra tácita é a mesma: estás ali para ouvir a música, não para gritar por cima dela. Depois de uma década de clubes maiores, festivais mais barulhentos e ecrãs de telemóvel sem fim, essa é uma proposta discretamente radical.

O que traz o Music Room a Belfast?

O Music Room abre a 1 de julho na Church Street, concebido pelo DJ e criativo local OJ Wilson como o primeiro listening bar dedicado da cidade. O sistema de som é uma construção à medida de Toby Hatchett, da Hatchett Sound, com altifalantes coaxiais feitos à mão, colunas Volt e um par de subwoofers de doze polegadas, afinados para a clareza a volume de conversa e não para martelar nas horas de ponta. Uma parede de vinis funciona em parceria com a loja de discos do leste de Belfast Sound Advice, pelo que o disco que acabou de te emocionar é um que podes comprar à saída. O interior é do estúdio de Belfast Drinksology e a carta de bebidas de Gregory Buda. Wilson, que foi buscar a ideia às salas intimistas que encontrou em Dublin, Paris e Ibiza, resume o apelo de forma simples: poder perdermo-nos no som, sentirmo-nos plenamente imersos na música, é algo incrivelmente poderoso.

Porque é que estas salas se multiplicam agora?

O vinil cresce há anos, e com ele uma vontade do lado táctil e sem pressas da música que o streaming achata. Os listening bars situam-se exatamente aí, no ponto de encontro entre o renascimento do disco, a reação contra a economia da atenção e um setor da restauração à procura de algo com mais alma do que mais um bar de cocktails. Espalharam-se pelos Estados Unidos e pela Europa, e cada nova cidade que ganha um alarga os lugares onde a cultura musical pode acontecer. Há um debate legítimo sobre se não passam de salas requintadas e silenciosas para quem já saiu da idade do clube, mas uma leitura mais generosa defende que dão à cena um lugar onde estar às oito da noite, e não apenas às três da manhã.