A Squarp Instruments passou anos construindo sequenciadores em que a cena modular realmente confia: o Squarp Instruments Pyramid, o Hapax e o Hermod todos se firmaram como cérebros baseados em padrões para um rack. A Core, lançada no início de outubro de 2026, é outro tipo de produto. Não é um sequenciador. É o encanamento que permite que todo o resto do setup converse entre si, e a Squarp a projetou deliberadamente sem saídas próprias.
Por que comprar um módulo sem jacks CV?
A Core é uma interface MIDI para CV/gate em formato 6HP que, por si só, não tem para onde enviar um sinal convertido. Ela precisa de um expansor XP32 para de fato gerar qualquer saída: um XP32 desbloqueia 32 saídas CV (8 faixas vezes 4 saídas cada), e um segundo XP32 leva esse total a 64. A Squarp precifica as peças separadamente de propósito: a Core sozinha custa 190 euros, o pacote Core mais um XP32 custa 590 euros contra os 680 euros do preço regular combinado. Compra-se exatamente a quantidade de saídas que o rack precisa, e o papel da Core está inteiramente antes dessa decisão: é o cérebro que decide o que é convertido e como, não o hardware que faz a conversão física.
Essa divisão resolve um gargalo real para quem roda um setup híbrido de MIDI e CV. A maioria das interfaces assume que uma fonte fala com um destino. A Core funde USB Host, USB Device e MIDI TRS mini in/out ao mesmo tempo, permitindo que um computador com um DAW, um sequenciador hardware independente e um teclado MIDI estejam todos conectados tocando no mesmo rack simultaneamente, sem trocar cabos ou escolher um mestre. Para um setup de turnê ou estúdio onde o DAW cuida da automação enquanto um sequenciador hardware e um teclado querem controlar as mesmas vozes, essa fusão é a função real, não a conversão em si.
"Queríamos construir um pequeno utilitário em dois meses. Dois anos depois temos uma máquina que toca por conta própria. Ainda não é um sequenciador."
Essa citação de Benoit Desaissement, cofundador da Squarp, relatada pela Sonicstate, resume bem no que a Core se tornou. Além das tarefas básicas de conversão MIDI para CV/gate/velocidade/aftertouch/CC, o módulo traz motores generativos: LFOs, geradores de ritmos euclidianos, um arpejador, envelopes AHDSR, offset DC e operações lógicas, além de loops melódicos que mutam por conta própria com o tempo. Nada disso precisa de um computador conectado. Oito presets globais guardam configurações de roteamento completas, para que quem toca em live possa recuperar um patch inteiro de motores e mapeamentos no meio de um set.
O tamanho realmente importa aqui?
Com 25mm de profundidade e 6HP de largura, a Core foi pensada para desaparecer num skiff compacto, o tipo de setup de viagem que um músico modular realmente leva para um show, e não o tipo pensado para impressionar numa foto de estúdio. Encaixar uma tela OLED e 14 motores nesse espaço é um problema de engenharia mais difícil que a própria conversão CV, e é esse detalhe que separa um módulo pensado para uma mesa de um pensado para uma mochila.
Por que isso importa?
A Squarp é uma das primeiras marcas dessa geração de hardware modular a construir toda a sua reputação em torno do sequenciamento, e a Core é a sua admissão de que o verdadeiro atrito num rack modular costuma vir da conectividade, não da geração de padrões. Um cérebro MIDI dedicado e expansível que funde todas as fontes ao mesmo tempo resolve um problema que todo estúdio híbrido contornava silenciosamente com splitters MIDI e repatch manual.
O que pensamos?
A decisão de retirar as saídas CV da unidade base e vendê-las como um expansor separado é a parte mais inteligente desse lançamento: evita que a Squarp imponha um número fixo de entradas e saídas a cada comprador, e torna o preço de entrada de 190 euros honesto em vez de isca para um pacote inevitável. Dois anos de desenvolvimento para algo tão focado também mostram que a Squarp está jogando um jogo mais longo do que apenas atualizar seus sequenciadores aos poucos.



