Willard Ahdritz passou vinte e cinco anos construindo a Kobalt, uma das empresas de direitos musicais mais influentes do planeta, aquela infraestrutura discreta que mudou a forma como compositores recebem seus pagamentos. Ele saiu em julho, quando a aquisição da Kobalt pela Primary Wave, de cerca de 1,5 bilhão de dólares, foi concluída. Segundo a Music Business Worldwide, ele não ficou parado por muito tempo: em 1º de outubro, lançou oficialmente a Ahdritz Capital Partners, um fundo de venture capital pensado para fazer, pela próxima geração de fundadores de música e mídia, o que a Kobalt fez pelos detentores de direitos.
No que o fundo realmente vai investir?
A ACP diz que vai mirar duas frentes: infraestrutura e sistemas de mídia, aquele encanamento pouco glamouroso que faz funcionar direitos, pagamentos e distribuição, e plataformas de fandom e audiência, as ferramentas que conectam artistas diretamente a quem presta atenção neles. O fundo não se limita à música, o que faz sentido dado de onde vem o dinheiro de Ahdritz: não de um sucesso musical, mas de uma infraestrutura que todo detentor de direitos acaba precisando usar.
«A música é global, mas o capital e as redes de que os fundadores precisam ainda estão concentrados em poucas cidades.»
Essa é a formulação do próprio Ahdritz para explicar a razão de existir da ACP, e ela diz tanto sobre a tese do fundo quanto sobre sua estrutura.
Por que Nova York e Estocolmo, e por que tanta pressa?
A ACP opera como uma única equipe global dividida entre Nova York e Estocolmo, em vez de uma sede central com escritórios satélite. Isabel Keulen, vinda da SSE Ventures, está baseada em Estocolmo, o território de origem de Ahdritz e a base histórica da Kobalt. Stephen Langer, veterano do Lazard, entrou para a equipe em maio, bem antes do lançamento oficial em outubro, trazendo experiência de dealmaking bancário em vez de um perfil clássico de venture capital.
As doze semanas entre a saída da Kobalt e o lançamento da ACP são, em si, a verdadeira notícia. Sem período de resfriamento, sem sabático, sem fase discreta de consultoria. Para um executivo que acaba de embolsar uma saída de nove dígitos, essa velocidade sinaliza que ele vê uma janela estreita para alocar capital em infraestrutura de música e mídia antes que a próxima onda de consolidação, a mesma que acabou de engolir sua própria empresa, se encerre.



